Há actualmente uma campanha de propagando tentando convencer tudo e todos de que há funcionários públicos a mais.
Antes de entrarmos na discussão deste tópico vamos ver um caso totalmente diferente.
Imaginemos dois casais, o casal Silva e o casal Fernandes.
O casal Silva não tem filhos, mora no Parque nas Nações em Lisboa, ambos trabalham e têm um rendimento líquido mensal de cinco mil Euros.
Gastam cerca de 15% dos seus rendimentos em alimentação. Estes 15% (750 Euros) incluem quer a alimentação comprada nos hipermercados quer a alimentação comprada quando vão comer fora, a bons restaurantes.
O casal Fernandes tem três filhos, vive num bairro da lata e tem de rendimento mensal cerca de 600 Euros (grosso modo dois ordenados mínimos). Nunca vão a restaurantes mas gastam 90% dos seus rendimentos (540 Euros) na alimentação, sua e dos seus filhos. Claro que comem mal, muito mal e andam subalimentados e mal alimentados devido ao excesso de batatas e pão.
Mas há um pormenor importante, o casal Silva gasta só 15% dos seus rendimentos na alimentação enquanto que o casal Fernandes gasta 90% dos seus rendimentos na alimentação.
Uma análise rápida lervar-nos-ía a concluir que o casal Fernandes "esbanja" 90% dos seus rendimentos a comer e isso é provavelmente a causa do seu baixo nível de vida pois não tem margem para aforrar e investir no seu futuro.
Quem fizesse uma análise deste tipo seria certamente considerado idiota e se tivesse o descaramento de o dizer ao casal Fernandes certamente seria corrido à pedrada.
Mas, voltemos ao caso dos funcionários públicos a mais.
O raciocínio que o mostra é baseado em que Portugal gasta 15% do seu PIB na Função Pública enquanto que a média europeia é de 13% (se não estou em erro). Portanto temos funcionários públicos a mais e temos de os reduzir...
Este raciocínio é semelhante ao feito acima para os casais Silva e Fernandes.
Todos os países da UE têm as mesmas necessidades e tarefas para as suas funções públicas. Portanto o gasto bruto com as funções públicas devia ser igual, isto é, a função pública deveria custar x Euros por habitante em cada país da UE.
Portugal tem uma percentagem de funcionários públicos em relação à população activa inferior à média da UE. Portugal paga menos aos seus funcionários públicos do que os outros países da UE. Mas como o PIB per capita português é inferior à média da UE (creio que pouco ultrapassa os 70%), em percentagem o gasto na Função Pública é superior à média da UE.
O problema não é portanto o de reduzir o número de funcionários públicos, o problema é redistribuí-los e, claro, aumentar o PIB per capita de forma a aproxima-lo da média da UE. Isto para não estarmos a cair no mesmo erro que fizemos acima acerca da alimentação dos casais Silva e Fernandes.
Cortar no número de funcionários públicos às cegas só irá prejudicar o país e impedi-lo de satisfazer as exigências que temos de enfrentar.
Terça-feira, Janeiro 25
Há funcionários públicos a mais?
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5 comentários:
Eu não cortaria o número de funcionários públicos... mas é realmente necessário cortar na fama do rendimento de trabalho de um funcionário público...
É como diz uma anedota q recebi ontem por mail. Um leão foge do Zoo para a cidade e alimenta-se de funcionários públicos sem ninguém dar por nada. Directores-Gerais, directores de serviço, funcionários comuns, vao todos sem ng o descobrir.
Só o topam qdo come o tipo que serve o cafézinho...
http://www.zonafranca.blogspot.com/
Será que é desta que se faz uma auditoria externa à Administração Pública? Duvido...
"O problema não é portanto o de reduzir o número de funcionários públicos, o problema é redistribuí-los "
Gostava que o iluminado que esreveu isto eplicasse também como o faria e, sobretudo, como venceria a resistência dos funcionários publicos á mudança. E que o explicasse sobretudo neste contexto em que as "expectativas" dos funcionários públicos são desculpa para tudo e mais alguma coisa e neste contexto em que o mero cidadão "da privada" pode ser despedido, mas não o funcionário público. Sobretudo, gostaria que o explicasse pondo-se na pele do governante que (independentemente do partido) sobre pressões para não perder as eleições, num País onde os funcionários publicos "elegem o seu patrão" e estão em "claro conflito de interesses", numa situação em que, mexendo com os seus interesses fazem chantagem e votam noutros! É que neste país para mexer nos interesses desses senhores quase que é preciso mudar a constituição.
Finalmente, gostava de recordar a aos iluminados que contam histórias do zé e da maria para tentarem provar algo, que para as contas do PIB a função pública nada ou pouco conta (perguntem a qualquer economista como se calcula o PIB e como contribui a função publica), resumindo é fácil mandar aumentar o PIB para resolvermos os nossos problemas, quando são os outros que têm de trabalhar mais, receber menos e serem mais produtivos, para que o PIB aumente!
Já agora viva o socialismo de um País, onde uns pedem 6% de aumento ao Patrão ESTADO e os outros que normalmente não têm aumentos acima da inflação é que têm de pagar esses aumentos. Depois culpam-se os sucessivos governos por não aumentarem o pessoal das empresas, ora eu não me recordo de ver algum ministro com que tenha ido ao meu patrão ordenar-lhe que pagasse mais aos empregados, ou mesmo noutra empresa, isto porque nas empresas não mandam nada.
Enfrentem a realidade!
Se o senhor anónimo que escreveu o comentário anterior fosse candidato a primeiro ministro, teria com certeza o meu voto. Deixem-se de hipocrisias, cada vez mais me conveço que a função publica é uma classe intocável em Portugal, ou pelo menos tentam transparece-lo! Então todos os dias nos queixamos com o aumento dos impostos e todos os dias pactuamos com esses senhores que se acham donos do poder ( funcionario publico)?´Se há funcionarios a mais? sem duvida, com 2/3 dos actuais a função publica funcionava muito melhor!
Essas velhas senhoras criadas e colocadas por um socialismo isacerbado e descontrolado, que a todos queria agradar criou este grande problema. Agora que têm o poder que o resolvam, agora quem não tem culpa pelo actual estado de sitio não é obrigado a pagar pelos erros passados! Eu sou de alma e coração Português, e gostava de ver o meu País na rota do desenvolvimento, onde todos têm as mesmas oportunidades, onde os cidadãos são incentivados a ajudar ao desenvolvimento nacional, ´
mas o exemplo tem que vir de cima.
Ou ninguém passou pela experiencia de ter que recorrer a uma repartição publica e ser quase tratado a baixo de cão pelo funcionario que esta do outro lado, e isso é possivel porquê? pelo proteccionismo descontrolado que essas pessoas têm, se o mesmo se passa-se ao balcão de uma empresa particular, o utente faria uma queixa por escrito no livro amarelo, e esse funcionário estaria em maus lençois, mas quando se passa na função publica tudo passa e quem paga as favas são os utentes.
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