Segunda-feira, Agosto 1
João César das Neves e a desonestidade intelectual
O Professor João César das Neves costuma escrever umas crónicas no Diário de Notícias.
Na de hoje atira-se aos funcionários públicos.
A sua "tese" é que o que destrói uma floresta não é uma manada de elefantes é antes uma nuvem de gafanhotos ou a fome das formigas marabunta.
Isto é, o que é grave para o célebre deficit não são os ordenados e as reformas milionárias de meia dúzia de oportunistas mas sim as migalhas, na sua opinião exageradas, que são distribuídas aos funcionários públicos.
A meio da sua crónica escreve mesmo que:
"O problema é bem visível ao comparar essa retórica com a lógica do sector privado. Aí os salários são determinados pelos custos da empresa e pela possibilidade de se manter competitiva. Só quem produz mais pode ganhar mais. A questão torna-se bem visível nos valores do crescimento real dos salários (vd. Banco de Portugal). Desde a entrada na UE, em 1986, o salário real por trabalhador de toda a economia aumentou em média 2,3% ao ano. Mas no sector empresarial esse crescimento foi apenas de 1,9%. Isso significa que o sector estatal cresceu muito acima das empresas. Se assumirmos que ele ocupa 15% da população activa, a média seriam uns astronómicos 4,7%. Isto é marabunta!"
A desonestidade deste raciocínio é óbvia e inadmissível numa pessoa que, ainda por cima, é professor universitário.
Para já, nestes 4,7% o Senhor Professor esquece-se que os funcionários públicos até 1989 estavam isentos de pagar imposto profissional e complementar pelos proventos da actividade pública, isto é, era como se o estado os descontasse logo à cabeça.
Quando foi feita a reforma do IRS estas insenções desapareceram tendo os vencimentos dos funcionários públicos sido aumentados para pagar o IRS. Na prática tudo ficou na mesma, o aumento foi só uma manobra contabilistica.
Mas entra nas contas do Senhor Professor como se de um aumento se tratasse.
Depois comparar os salários dos trabalhadores do público aos do privado é difícil e uma pessoa com as responsabilidades do Senhor Professor João César das Neves tinha a obrigação de não o fazer assim tão levemente.
O salário de um funcionário público é conhecido, é contabilizado a 100%, o salário de muito trabalhador do privado não. Há muitos truques, desde o direito ao automóvel até o receber parte do salário em recibos verdes.
Há ainda outro problema, o nível médio da Função Pública é superior ao nível médio dos trabalhadores do país.
Uma comparação podia ser entre, por exemplo, o salário dos trabalhadores da Função Pública e os das grandes empresas...
Por fim o Senhor Professor esquece-se também de que devia ter entrado em consideração com o vencimento prévio dos funcionários públicos que, tradicionalmente, sempre ganharam pouco em Portugal.
Em resumo, o Senhor Professor João César das Neves é um mero propagandista político que faz da demagogia o seu modo de vida. Não merece o título de Professor.
Quem queira expressa-lhe o que pensa dele pode fazê-lo pelo email que publica no Diário de Notícias, naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
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12 comentários:
E mais, se o governo deixasse de pagar ordenados aí é que o defice baixava...
Bem, se é isto que o professor ensina aos alunos tamos tramados.
Isto parece um discurso do Salazar.
Quando é que as pessoas compreendem que esses arautos dos merdia estão ao serviço do verdadeiro poder: das corporações económicas que impelem o estado a poupar nos insectos para investir nos elefantes?
Raio,
Como é possível que alguém a quem seria legítimo atribuir um determinado grau de inteligência possa emitir semelhantes atoardas?
Estes é que são os verdadeiramente perigosos, os que se crêem senhores e são mais escravos que os restantes. O homem está totalmente condicionado e, por isso, não consegue compreender que o desenvolvimento do modelo económico que defende há-de conduzir à catástrofe...
Fez-me lembrar o recente êxito do Herman José:"...És tão boa, és tão boa... "
Enfim, papagaios e aves canoras, é mato...
anastácia,
Para explicar estas atordoados só temos dois caminhos, ou é desonesto ou é estúpido.
Não acredito que seja estúpido... portanto resta o desonesto.
O Senhor Professor deve ter consciencia exacta dos disparates que está a dizer. Só que na fase actual de enriquecimento dos grandes capitalistas, grandes capitalistas esses que o Senhor Professor serve, este tipo de disparates é conveniente.
Introduz clivagens na sociedade e, no fim, perdemos todos... isto é, todos menos os tais grandes e os seus lacaios, como o Senhor Professor João César das Neves.
Bjs
Esse indivíduo queria os funcionários públicos que ganham oitenta contos/ mês a trabalharem de forma gratuita,escravos de sua Alteza Real. Assim podia sentar-se à mesa recheada de iguarias comer tudo e no fim deixar as migalhas aos pobres. Se eles se revoltassem eram chicoteados e postos nas masmorras ou condenados a trabalhos forçados.Pobre país onde há gente que nos nossos dias ainda professa discursos de retórica deste calibre? Este tipo é professor? Ele para dar o exemplo era o primeiro que não devia receber ordenado nem dar aulas noutras universidades.Este sujeito tem tempo para fazer tudo e tudo bem feito, porque os outros só têm deveres e não têm direitos.Lamento que haja mentalidades qualificadas de brilhantes,mas que na realidade são baças humilhantes que em nada contribuem para o desenvolvimento do país.Ele naturalmente também já recebeu uma condecoração do Pres. da Rep.!
Voce não sabe o que diz, provalvelmente não trabalha e se o faz, fa-lo a custa dos meus impostos.
Por isso discorda.
É impensavel etar de baixa e receber a 100%, como têm a função publica.
Carreiras no privado?
tem é o olho da rua a espera dele ou dela
anonymous,
"É impensavel etar de baixa e receber a 100%, como têm a função publica."
É falso, totalmente falso que tal aconteça.
Quanto ao resto nem vale a pena responder...
Resposta ao 11:54 AM: Afirmas que na função pública quando se está de baixa se recebe a 100%.Isso não é verdade.Então só o privado é que contribui para o desenvolvimento do país? O estado português deu de mão beijada milhões de euros às empresas. O que se constata hoje é que algumas faliram derivado à má gerência comprando carros de alta gama,festas,casinos etc, outras de forma fraudulenta fecharam as portas e outras deslocaram-se para outros países para receberem novamente os subsídios. Desempregados e mais desempregados.É isto que contribui para o desenvolvimento país? E as empresas fictícias? E a fuga aos impostos? E as empresas que foram condenadas por crimes fiscais? Quem paga os subsídios de desemprego a tantos desempregados que presentemente se encontram a viver no limiar da subsistência?Vais na onda dos políticos que estão cheios de mordomias,reformas em tempo record etc. O público presta tão bons serviços como o privado. Esta coisa dos governantes dizerem mal dos funcionários públicos e profesores é um alibi para desviarem as atenções dos erros sucessivos que têm feito como políticos incompetentes e incapazes que nada fazem em que alguns deles apenas rebolam, dormem e se espreguiçam nas cadeiras .São estes os responsáveis pela crise em que nos encontramos.O público é o público e o privado é o privado.Pouco ou nada se tem feito para elevar Portugal a um vértice,a que como tantos outros países tem o meritório direito,porque o arranjismo,o partidarismo e a corrupção acabam por sobrepôr a tudo e a todos. As afirmações que esse professor diz são dos que consideravam Portugal como uma província espanhola,face à falta de projecção dos governantes anteriores ao vinte cinco de Abril, em que o analfabetismo fazia parte integrante dessa política mesquinha e ditatorial em que imperava o reino de meia dúzia de senhores.Os funcionários públicos têm concursos e não são atrasados como pensas. Pareces mesmo um "chico esperto". O primeiro ministro Durão Barroso dizia que o povo tinha ficado de tanga,mas esqueceu-se do seu povo e fugiu, após o povo ter votado nele, só que depois de se ter ido embora o tal povo de que ele falava ficou bem pior.Se a burocracia impera na administração pública é culpa do estado que para extorquir mais impostos aos cidadãos exige papelada aos montes e paga a peso de ouro.Nada é feito para que a nossa dependência diminua,o que têm feito é agravá-la ainda mais.A dança das cadeiras continua.Põem-se uns administradores e tiram-se outros.Dão-se indeminizações chorudas e quem paga tudo isto?Atribuem-se reformas em tempo record com que direito? O professor Neves como intelectual pensa ainda como se vivesse antes do vinte cinco de Abril? Pretende com as suas retóricas de cátedra trazer-nos à memória realidades tristes pertencentes ao passado que todos nós tentamos esquecer mas que tempo nunca apagará!E quanto a ti meu caro para ser sincero não preciso de perder mais tempo, porque com as tuas afirmações falsas, erróneas e simplistas não passas de ser uma alma dolorida,ferida e cheia de mágoas.Estás preso a uma realidade vazia sem perceberes o sofrimento em que estás mergulhado.
Como se pode comprovar quem comenta este artigo (salvo algumas excepções) é mais burro (ou diriamos estupido!) que a pessoa que critica o autor da crónica no DN.
Posto isto é altura de dizer, PAREM DE FALAR DO QUE NÃO SABEM! JCN pode não saber tudo sobre tudo, mas por certo está mais informado que vós todos juntos!
Salvo algumas excepções, os comentarios baseiam-se em ofensas gratuitas, comparações com o grande Salazar (a quem muito devemos) e "bitates" sem nexo algum.
Decepçao Cavaco
and ana maría de castro palha opinion?
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