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Segunda-feira, Junho 4

Novo aeroporto de Lisboa, onde?

A guerra pelo novo aeroporto de Lisboa está em grande.
O Governo quer construí-lo na OTA, mas todos os outros partidos e mesmo muita gente fora dos partidos quer o aeroporto em todo o lado menos na Ota. E todos os argumentos servem, mesmo os que se contradizem entre si.
O primeiro argumento para que o aeroporto saía da Portela é que é um perigo terrível ter um aeroporto no meio da cidade. Mas, depois, com o entusiasmo do novo aeroporto, Ota ou outro, já se fala na cidade aeroportuária, isto é, uma nova cidade à volta do aeroporto com hotéis, escritórios, centros comerciais, residências, armazéns, etc.... o que seria um grande perigo por ficar á volta de um aeroporto...
Bom, por isto vê-se que o argumento não convence.
Aliás, há muitos aeroportos dentro ou ao lado de cidades. Vêja-se, por exemplo, o Reagan National, em Washington D.C. que, em linha recta não está a mais do que uns três quilómetros da Casa Branca! (a escala está em baixo à esquerda, para ampliar fazer click na imagem)
)


Temos também outro exemplo, o antigo aeroporto de Hong Kong, Kai Tak, desactivado há poucos anos. Este aeroporto, além de ficar no meio da cidade (em Kowloon) só tinha uma pista ainda por cima construída sobre o mar, a pouca distância da ilha de Hong Kong.



Este aeroporto foi dasactivado há poucos anos porque já estava saturado, o número anual de passageiros já ultrapassava os trinta milhões! E só tinha uma pista.

Assim podemos deixar de considerar como imperativo a obrigatoriedade de desactivar a Portela.

Mas, como referido, o Governo quer construir o novo aeroporto na Ota a 47 km do Marquês de Pombal (Lisboa) e a 73 km do Estoril (distâncias medidas no route planer da Michelin).
E, a oposição contrapõe á Ota como alternativas o Rio Frio ou, a última descoberta, o Poceirão.
De referir que rio Frio está a 38 km do Marquês de Pombal e a 61 do Estoril e o Poceirão a 55 km do Marquês e a 72 km do Estoril!

Não é necessário fazer muitos estudos para concluir que qualquer destas hipóteses teria consequências muito negativas no turismo de Lisboa e do Estoril, turismo, congressos, viagens de negócios, etc., etc.

São portanto hipóteses para rejeitar.

E, o que é estranho em toda esta discussão é que aparentemente se deitaram fora algumas soluções aparentemente muito mais vantajosas, a de manter a Portela associando-lhe a pista de Alverca (ver ao lado).
Esta pista, em linha recta a pouco mais de dez quilómetros da Portela possibilitava a construção de um monorail entre as duas pistas e a fazer-se uma exploração conjunta.
Juntando a esta solução a desactivação de Figo Maduro e à saída da manutenção da TAP para Beja, o espaço ganho permitiria uma grande ampliação da actual Portela o que resolveria alguns dos actuais problemas de congestionamento deste aeroporto.

Também se deitou fora a solução da base aérea do Montijo, mesmo em frente de Lisbos, facilmente assessível por uma nova ponte e até a permitir uma extensão do Metro em tunel no Tejo ligando o Montijo á rede de metropolitano de Lisboa.

Por fim chama-se a atenção de que o desactivado aeroporto de Kai Tak em Hong Kong, tinha uma área menor do que a da Portela, só tinha uma pista e, no último ano de funcionamento passaram por lá mais de trinta milhões de passageiros o que mostra que a Portela que actualmente tem uns doze milhões de passageiros ainda poderia ter muito tempo de vida.

5 comentários:

H. Sousa disse...

Tens toda a razão, Raio. Há ainda a pista de Tires que fica bem próximo de Estoril e onde, mesmo sem ampliações, podem operar aeronaves comerciais. E esta, hein?

Ruvasa disse...

Viva, Raio!

Só com um a diferença. O aeroporto em Kowloon era antigo, tendo sido construído ora da cidade que, depois o foi envolvendo, até que os ingleses concluíram que não podia continuar assim, que aquilo era um perigo.

E, então, foram construir outro bem mais distante, a cerca de 30 kms. curiosamente não mais do que isso. Um aeroporto "monstro". Aqui, é ao contrário.

Aliás, a argumentação do ministro Lino é completamente idiota, para não dizer outra coisa. Alegou ele que para a margem sul do Tejo "jamais, jamais", porque lá não existem hospitais (é burrice porque há e bons...), hotéis (outra casquinada por que há e bons...), comércio, etc.

O homem não tem a mínima noção do que está a dizer mas, se tivesse razão no que afirmou, então esse seria um belo argumento - quiçá o decisivo - para que o aeroporto fosse para a margem sul. É que, se lá não existe nada, o necessário é criar pólos de atracção de investimento, em ordem a um cada vez melhor ordenamento do território e respectivo desenvolvimento harmonioso. Será uma forma decente - a mais decente - de acabar com mais uma das imensas desigualdades com que nos defrontamos.

Nesta coisa de argumentação, Raio, estamos como sempre, não é? As teorias são todas muito interessantes e mesmo de alta preocupação social. O pior é a prática. Estupidamente reiterada e acriticamente aplaudida.

Abraço

Ruben

max disse...

O Aeroporto de Kai Tak não pode servir de exemplo, caro Raio. A questão, lá, era tecnicamente diferente como certamente convirá: a capacidade de manobra de aeronaves wide bodies e, sobretudo, de estacionamento das ditas não tem paralelo com Lisboa. O problema da Portela é que, no cômputo total do espaço, dificilmente se conseguirá assegurar o crescimento do hub intercontinental da TAP. As exigências dos tempos em que a Cathay tinha o seu hub em Kai Tak não os mesmo de hoje. Esse foi, justamente, um dos argumentos para levar a cabo a construção de Chep Lap Kok.

Caso lhe interesse, poderá ler no Devaneios o post "Ota: sim, mas..."

O Raio disse...

Caro Ruvasa,

Quando me referi a Kai Tak foi porque era um aeroporto com uma área inferior ao da Portela (com Figo Maduro) e que, quando foi fechado, tinha um movimento anual de creio que 33 milhões de passageiros. Como a Portela ainda está bem longe disso conclui-se que a saturação da Portela não é assim iminente.
Quanto ao aeroporto de Chap Lap Kok, na ilha de Lantau, apesar de estar só a 30Km de Central (centro de HK) a população reclama que é muito distante.
Concordo que a argumentação do Ministro iberista é totalmente idiota pois se o que disse fosse verdade, o que ele estava a fazer era a defender o aeroporto na margem sul.

Um abraço

O Raio disse...

Caro max,

O aeroporto de Lisboa sem Figo Maduro e sem a área de manutenção da TAP (que vai para Beja) tem uma área superior á de Kai Tak.
Além de que é possível, através de expropriações (tal como na Ota) aumentar-se ainda a área da Portela.
De qualquer forma o problema de Kai Tak é que já estava a arrebentar pelas costuras como qualquer passageiro que aterrasse lá, vindo da Europa, por volta das cinco da tarde (hora local) perceberia.
Era evidente que Hong Kong necessitava de um novo aeroporto e quando a administração inglesa se lançou na construção de Chap Lap Kok não houve as confusões que há por estas bandas.
Não se pouparam a gastos (também é verdade que o podiam fazer porque HK não estava na União Europeia nem tinha o Euro como nós) e arranjaram ligações rápidas e fiáveis a Central (centro de HK).
Comboio expresso (creio que 15 minutos), linha de metro até perto do aeroporto e autoestradas e pontes.
Além de que é possível fazer o check-in em Central.
Não sei se cá, com o aeroporto da Ota farão o mesmo.

O artigo que recomendas é interessante e também recomendo a sua leitura.

Um abraço

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