Europe
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Quinta-feira, Fevereiro 12

O descalabro do Euro

Já várias vezes me referi ao descalabro que a adesão à moeda única foi para Portugal.
Isto apesar de nenhum ou quase nenhum político ou comentador se referir a este assunto publicamente. O Euro é realmente uma vaca sagrada!
Para já tem-se que a própria adesão à CEE/UE não foi nenhuma maravilha para o país como os dados, analizados objectivamente mostram.
No site do Economic Research Service norte-americano estão publicadas várias tabelas que, se vistas com cuidado, mostram que a catástrofe que foi a adesão ao Euro, adesão essa que na propaganda inicial previa trazer prosperidade e empregos para o país. E digo na propaganda inicial porque actualmente já ninguém tem coragem para dizer uma enormidade destas, agora é diferente, agora é se não tivessemos o euro estavamos muito pior.
Bom, mas no site acima referido há uma tabela (ver aqui) que nos dá o PIB per capita de todos os países do Mundo, de 1969 a 2008 (em dólares de 2005).
Vamos considerar só os países da Europa (42) e os seguintes marcos:
-De 1969 a 1974 (até ao 25 de Abril e à crise do petróleo);
-De 1975 a 1987 (até à adesão à CEE);
-De 1987 a 1998 (até à adesão ao Euro);
-De 1999 a 2008 (o período do Euro).
Vamos utilizar como medida de crescimento o rácio entre o PIB/per capita no fim do período e no início do período, isto é, quanto maior for maior é o crescimento.

Ora bem em que lugar é que o crescimento de Portugal estaria nestes períodos?

De 1969 a 1974:

Malta and Gozo................1,47
Portugal............................1,41
Iceland..............................1,37
Finland.............................1,29
Hungary...........................1,29
Spain.................................1,28
.....................
.....................
.....................
Albania.............................1,04
Macedonia.......................1,03
Armenia...........................1,03

Portugal é o segundo só ultrapassado por Malta e à frente da Islândia, o terceiro.
Os últimos são a Albania, Macedónia e Arménia.

Agora de 1975 a 1987:

Cyprus.............................2,36
Malta and Gozo..............1,91
Iceland............................1,56
Croatia............................1,53
Romania.........................1,52
Norway..........................1,47
Georgia..........................1,47
Latvia............................1,42
Portugal.........................1,41
Czech Republic..............1,40
Bulgaria.........................1,40
Italy...............................1,39
................................................
................................................
...............................................
Switzerland...................1,15
Albania..........................1,11
Greece...........................1,10

Agora Portugal, apesar do 25 de Abril e do primeiro choque petrolífero que afectou grandemente o país, desceu para a nona posição. Os últimos são agora a Albania e a Grécia.
Neste período é de sublinhar que o ano negro foi 1975, ano em que o PIB desceu mais de sete por cento!

De 1987 a 1998:


Bosnia Herzegovina...............4,99
Ireland..........................1,89
Luxembourg.......................1,68
Malta and Gozo...................1,66
Cyprus...........................1,52
Poland...........................1,41
Portugal.........................1,41
Spain............................1,32
Norway...........................1,32
...................................
...................................
...................................
Moldova..........................0,36
Azerbaijan.......................0,35
Georgia..........................0,20

Portugal agora é o sext/sétimo, um pouco á frente de Espanha e empatado com a Polónia.

E agora o período da adesão à moeda única, de 1999 a 2008:

Azerbaijan.......................3,89
Armenia..........................2,65
Latvia...........................2,25
Georgia..........................2,02
Belarus..........................2,01
Ukraine..........................1,95
Estonia..........................1,94
Lithuania........................1,86
Russia...........................1,86
Bulgaria.........................1,74
Moldova..........................1,66
Slovakia.........................1,64
Romania..........................1,64
Serbia...........................1,63
Albania..........................1,60
Czech Republic...................1,48
Poland...........................1,44
Croatia..........................1,44
Slovenia.........................1,44
Bosnia Herzegovina...............1,42
Ireland..........................1,41
Hungary..........................1,41
Greece...........................1,41
Cyprus...........................1,36
Spain............................1,35
Finland..........................1,31
Luxembourg.......................1,29
Sweden...........................1,24
Macedonia........................1,22
United Kingdom...................1,22
Iceland..........................1,21
Austria..........................1,20
Belgium..........................1,18
Denmark..........................1,15
Malta and Gozo...................1,14
Germany..........................1,14
Switzerland......................1,13
France...........................1,12
Norway...........................1,12
Netherlands......................1,11
Italy............................1,09
Portugal.........................1,06

Portugal agora é o 42º e último!
É evidente que o passar-se dos primeiros lugares para o último teve de ter alguma razão de ser. Essa razão nem sequer poderá ser a competência ou incompetência dos governos. Ou alguém acredita que Durão Barroso, Santana e Sócrates foram infinitamente piores do que Guterres, Cavaco, Mário Soares, Vasco Gonçalves e outros?

A razão que tem de ser considerada é a adesão ao Euro pois esta é a grande alteração deste período em relação aos anteriores.

Nem que fosse numa base teórica esta causa devia ser ponderada e publicamente discutida, mas não, não se fala disso, diz-se quanto muito que se não fosse o Euro estariamos piores, como se fosse possível estar pior do que estamos, pior do que ser o último...

3 comentários:

contradicoes disse...

Meu caro não concordo com a sua visão. Basta só atentar no pormenor de que estamos dependentes que quase tudo do exterior, já imaginou o descalabro que seria andarmos a pagar em escudos os produtos importados em euros. Bem então se o preço dos produtos já são preocupantes como seriam se mantivessemos a nossa moeda desvalorizada face ao euro.

O Raio disse...

Caro contradições,

"já imaginou o descalabro que seria andarmos a pagar em escudos os produtos importados em euros"

Seria optimo! As importações seriam mais caras mas as exportações seriam mais baratas. Importariamos menos e exportariamos mais.
E com isto equilibrariamos a nossa balança comercial.

De qualquer forma Portugal terá de abandonar o Euro e a curto prazo, como muitos previram.

O Euro é um projecto absurdo e, ou a UE tem um orçamento de, no mínimo, nove ou dez por cento da PIB europeu de forma a acudir aos Estados prejudicados pela adesão ou teremos uma implosão da economia, da portuguesa e de outras.

Mas o orçamento da UE é de cerca de 1% do PIB europeu e com este valor não iremos a nenhum lado.

Quanto ao preço dos produtos importados, é de lembrar que se não fossemos obrigados a importar os bens alimentares da UE devido á Politica Agricola Comum, poderiamos abastecermo-nos no mercado mundial a preços substancialmente mais baratos.


Um abraço

Anónimo disse...

Caros,
Não é fácil deixar o Euro, o que traria como consequência, também, a saída da CE.
Do meu ponto de vista, Portugal endividou-se imenso, a dívida, quer a pública (interna e externa), quer a dívida externa dos particulares, empresas e bancos, suponho que o dobro do nosso PIB, amarrou o país aos seus credores e veja-se o que se passa com a dependência do "rating" quanto às taxas de juros dos emprétimos.
Para se sair, teria de haver um plano de pagamento, uma renegociação e depois como iriam pagar as dívidas já existentes e como iriam pagar as que querem contrair com novo aeroporto, novas AEstradas etc?
Não se esqueçam que a dívida interna do Estado e até de particulares se pode pagar com a inflação, Mas isso já não é assim com a dívida externa quer do Estado quer da Banca por exemplo: só com divisas e moeda forte.
Ah! outra coisa: como se obteriam novos financiamentos para investir no extenso mar português que assim ficaria só nosso e acabavam-se com as frotas pesqueiras da CE?
Talvez o Dr. Medina Carreira tenha uma ideia.
Artur Basto