Para muitos parece que a democracia foi chão que deu uvas e já está ultrapassada pois estamos a entrar numa era pós-democrática, isto é, numa era democrática mas devidamente balizada.
Comecemos pelo exemplo do Irão.
O Irão é uma país democrático mas, claro, democrático dentro do islamismo.
É que o islamismo baseia-se no Corão e o Corão é uma obra divinamente inspirada e que regula tudo, desde como nos devemos governar até como nos devemos comportar. Juntamente com o Corão há também muita jurisprudência que o adapta às necessidades do dia a dia.
Assim, o Irão é uma democracia mas uma democracia devidamente balizada por clérigos que filtram os possíveis candidatos a eleições de forma a impedir que incapazes possam ser eleitos, incapazes que não entendam o islamismo e que porventura o coloquem em causa.
Num certo sentido o Irão é uma sociedade pós-democrática.
Tal como o Irão, a União Europeia também se está a tornar uma sociedade pós-democrática. Só que na UE o que baliza a democracia não é o Corão, nem é sequer um livro, é um corpo de pseudo conhecimentos, é a economia.
Parte-se do princípio de que a economia é demasiado complexa para ser entendida pelo comum dos mortais e, portanto, não pode ficar sujeita a ciclos eleitorais.
O Governo está assim a ser tirado das mãos de Governos e Parlamentos eleitos e a ser colocado, cada vez mais, em órgãos burocráticos não eleitos, Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc.
A ideia é que estes órgãos, formados por técnicos de alto gabarito nunca cometerão os erros que os Governos dependentes dos eleitores possam cometer.
Claro que quem fica a perder é a democracia e os cidadãos. E também é claro que isto tudo vai acabar muito mal.
Não há nenhum exemplo histórico que nos diga que um regime deste tipo dure muito e, pior, quando acabam, acabam muito mal.
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