No blog A Ciência não é neutra um tal Carlos Portugal escreveu um comentário a propósito dos carros eléctricos que vale a pena reproduzir.
É que, o que este Engenheiro diz é, no fundo, muito simples, a tecnologia ainda não está pronta para uma massificação do carro eléctrico.
Coloca também outro problema, como é a reciclagem das baterias? Quem faz? Quem paga? Quais os riscos?
Sou engenheiro mecânico, pelo IST, e tirei especialização em engenharia automóvel.
Há aqui vários problemas que nem o senhor nem outras pessoas parecem aflorar. Um desses problemas é que a autonomia das ditas baterias pouco melhorou desde 1908... Se o «progresso» é assim tão lento...
Outro dos problemas é que os ditos painéis solares dependem de um factor que é conhecido como a «constante solar do lugar», também chamada «insolação» (não confundir com a «constante solar» no limite superior da atmosfera) ou seja, a radiação máxima de energia solar - medida em Watts/m2 (embora seja agora hábito usarem-se outras unidades) - que um metro quadrado de superfície recebe teoricamente ao meio-dia solar do Solstício de Verão. Ou seja, a sua intensidade máxima. Esta, na nossa latitude, não chega aos 350 Watts/m2, claramente insuficiente para as aplicações utópicas sonhadas pelos verdes.
A acrescer a isto, há o fraquíssimo rendimento dos painéis solares, que rondam os 15%, nos mais avançados, ou seja, à volta dos 60W por metro quadrado... Não será com isto que pensará recarregar as baterias de iões de lítio dos brinquedos eléctricos a que chamam «automóveis»...
Restam as eólicas, mas o seu rendimento depende do vento, e é em média menor do que 25% da potência instalada. Uma fraude, portanto, que nos destrói a paisagem e expulsa os enxames de abelhas, acabando com a polinização generalizada e com o que resta da agricultura.
Por fim, há o problema da POLUIÇÃO química das baterias dos ditos carros eléctricos, porventura muito mais grave que a dos escapes dos diesel: estas baterias utilizam elementos designados por lantanídios na tabela periódica, que são extremamente tóxicos, quer na sua extracção (maioritariamente na China), quer depois na sua cessão em fim de utilidade. Ou seja, a reciclagem das baterias segue (quando são recicladas, o que é RARO) os mesmos preceitos do processamento dos resíduos nucleares. Agora imagine milhões de enormes baterias a serem descartadas ao fim de 3 a 5 anos. E com um custo unitário rondando os 15.000 euros...
Enfim, meu Caro, não há «milagres» na Física, pois as suas leis não podem ser violadas, e a «tecnologia» não tem resposta para tudo, muito menos se usar aquilo a que cada vez mais se chama «bad Science», para não usar outro nome.
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