Europe
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Joan Baez
We shall overcome
(Venceremos)
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Terça-feira, Junho 30

Dedicado a Bernard Madoff

Bernard Madoff, conhecido financeiro de Wall Street, acaba de ganhar numa lotaria judicial em Nova Iorque uma estadia de 150 anos às custas do Governo.

Este homem, durante muitos anos considerado um herói por muitos que encheram os bolsos com os seus esquemas mergulhará, por agora, na obscuridade.

Dedico-lhe este video:



Quarta-feira, Junho 24

Um artigo de Domingos Amaral

O Correio da Manhã publicou um artigo de opinião de Domingos Amaral.
Um artigo lúcido, muito mais lúcido do que o manifesto dos 28 economistas citados no artigo anterior.
Como não sei quanto tempo o Correio da Manhã mantem os seus conteúdos no conteúdos no ciber-espaço, reproduzo aqui este artigo.

Só é pena que Domingos Amaral não tenha questionado a sério o principal problema, os malefícios da adesão ao Euro.

História económica


Nos últimos 200 anos, a história económica portuguesa foi bastante simples. O País só cresceu quando o Estado gastou em obras públicas ou investiu na indústria – Marquês de Pombal, Fontes Pereira de Melo, Salazar, e até Cavaco e Guterres; ou quando exportou muito para o exterior – durante partes importantes do século XIX ou a partir dos anos 60; ou ainda quando o consumo privado cresceu muito, coisa que só se verificou no pós-25 de Abril, em especial nos anos 90.


Os nossos motores de crescimento foram pois sempre os mesmos: a despesa do Estado, a exportação e o consumo. Contudo, de há uma década para cá, as coisas complicaram-se. Com a entrada de Portugal no euro, os três motores do crescimento da nação enfrentaram um desafio complicado. A despesa do Estado ficou limitada, devido ao Pacto de Estabilidade. Os deficits do passado deixaram de ser possíveis, e o limite passou para os três por cento do PIB, muito abaixo do que sempre fora o deficit português ao longo da História.

Quanto às exportações, deixaram de ter a ajuda permanente da desvalorização do escudo, e naturalmente perderam muito mercado. Dois dos habituais motores do crescimento económico nacional ficaram pois seriamente paralisados. Por fim, restou o consumo. Enquanto as taxas de juro do euro foram baixas, ainda deu para disfarçar, mas logo que começaram a subir verificou-se que os níveis de consumo não seriam garantia de crescimento. Portanto, uma década no euro significou uma constante perda no ritmo de crescimento económico para Portugal. É espantoso que os economistas não vejam esta evidência e que continuem a berrar contra o Estado e o endividamento ao exterior. É não perceber nada do que se passou esta década.

O problema português não é, ao contrário do que diz o 'manifesto dos 28 economistas', fazer ou não fazer o TGV ou a Ota, mas sim qual a fórmula eficaz para o País voltar a crescer dentro do sistema do euro. Dizer não ao TGV ou à Ota pode parecer credível, mas não nos responde à pergunta essencial: como é que Portugal pode deixar de 'divergir da Europa' estando no euro? Para além disso, e estando o País e o Mundo em recessão, se não for o Estado a gastar dinheiro, quem o vai gastar? Serão os 28 economistas do manifesto que, por milagre ou magia, inventarão uma população rica e empresas prósperas, capazes de nos tirar do buraco? Salazar, o Marquês de Pombal e Fontes não perderiam um minuto com as opiniões destes 28 sábios da nação.

Os 28

Vinte e oito economistas assinaram um manifesto em que pedem ao Governo para parar.
Entre estes há vários ex-ministros das Finanças.
Lendo o manifesto e reparando neste pormenor percebe-se qual a razão para o estado do país. Com ministros deste tipo só admira que não estejamos pior!
O espantoso é que estes crânios não aprenderam nada, mesmo nada, não fazendo a menor mea culpa.
O Mundo está em crise, crise provocada pelas teorias que estes economistas defendem e que negando toda a evidência insistem nas mesmas teorias e receitas.
É um facto, como se pode ver no meu artigo O descalabro do Euro (ver aqui) que muito dos problemas que a economia portuguesa tem, de uma forma geral, a estagnação, reforçou-se e muito, depois da adesão ao Euro.
Ora qualquer pessoa com um minimo de espírito científico, eu diria mesmo mais, com um mínimo de inteligência, entrará obrigatoriamente com a adesão à Moeda Única em qualquer análise do estado da economia portuguesa. E entrará considerando-a de um ponto de vista negativo. Factos são factos.
Ora estes 28 crânios ignoram isto tudo e só se preocupam em que não se deve fazer nada, mesmo nada. Isto é, para já adia-se... E adiam-se projectos que andam em discussão há quarenta anos ou mais (caso do aeroporto).
Tenho muitas dúvidas sobre a utilidade do TGV Lisboa-Madrid. Isto é, a única vantagem que lhe vejo é a de captar a população da Estremadura espanhola (Badajoz) para o aeroporto de Alcochete (se este for construído).
Mas o TGV Lisboa-Porto é fundamental e devia ter sido contruído em 92 quando foi construído o TGV Madrid-Sevilha.
De notar que este TGV é rentável tal como deverá acontecer com o Lisboa-Porto se vier a ser construído.
Os argumentos de que o dinheiro não dá para tudo são idiotas. Não é por os bancos financiarem estas grandes obras que não irão emprestar dinheiro às empresas pois já não o estão a fazer e ainda não investiram um centimo em nenhuma grande obra.

Concluindo, seria bom para o país e bom para toda a economia se se oferecessem férias ilimitadas nos mares do Sul a estes 28. A única condição é que não podiam levar telemóvel nem ter email...

Terça-feira, Junho 2

Morreu o cavaquismo

2009-06-01 | Autor: Mário Crespo | Fonte: Jornal de Notícias | Página : 10;

Morreu o cavaquismo


Mário Crespo

Entre mais-valias na carteira de acções do professor Cavaco Silva e o
solilóquio de Oliveira e Costa no Parlamento, morreu o cavaquismo. As
horas de aflitivo testemunho enterraram o que restava do mito.
Oliveira e Costa e Dias Loureiro foram delfins de Cavaco Silva.
Activos, incansáveis, dinâmicos, competentes, foram para Cavaco
indefectíveis, prestáveis, diligentes e serventuários. Nas posições
que tinham na SLN e no BPN estavam a par da carteira de acções de
Cavaco Silva e família. Os dois foram os arquitectos dos colossais
apoios financeiros que nas suas diversas incarnações o cavaquismo
conseguiu mobilizar logo que o vislumbre de uma hierarquia de poder em
redor do antigo professor de Economia se desenhava. Intermediaram com
empresários e financeiros. Hipotecaram, hipotecaram-se e (sabemos
agora) hipotecaram-nos, quando a concretização dos sonhos de poder do
professor exigia mais um esforço financeiro, mais uma sede de
campanha, mais uma frota de veículos para as comitivas, mais uns
cartazes, um andar inteiro num hotel caro ou uma viagem num avião
fretado. Dias Loureiro e Oliveira e Costa estiveram lá e entregaram o
que lhes foi requerido e o que não foi.

Como as hordas de pedintes romenos, esgravataram donativos entre os
menos milionários e exigiram contribuições aos mais milionários.
Cobraram favores passados e venderam títulos de promissórias sobre
futuros favores. O BPN é muito disso. Nascido de um surpreendente
surto de liquidez à disposição do antigo secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, foi montado como uma turbina de
multiplicação de dinheiros que se foi aventurando cada vez mais longe,
indo em jactos executivos muito para lá do ponto de não regresso. Não
era o banco de Cavaco Silva, mas o facto de ser uma instituição gerida
pelos homens fortes do regime cavaquista onde, como refere uma nota da
Presidência da República, estava parte da ( ) "gestão das poupanças do
prof. Cavaco Silva e da sua mulher", funcionou como uma garantia de
confiança, do género daquele aval de qualidade nas conservas de
arenque britânico onde se lê "by special appointment to His Royal
Majesty " significando que o aromático peixe é recomendado pela
família real. Portugal devia ter sabido pelo seu presidente que a sua
confiança nos serviços bancários de Oliveira e Costa era tal que tinha
investido poupanças suas em acções da holding que detinha o banco. Mas
não soube. Depois, um banco de Cavaco e família teria de ser um banco
da boa moeda. E não foi. Pelo que agora se sabe, confrontando datas,
já o banco falia e Cavaco Silva fazia sentar na mesa do Conselho de
Estado, por sua escolha pessoal, Dias Loureiro, que entre estranhos
negócios com El Assir, o libanês, e Hector Hoyos, o porto-riquenho,
passou a dar parecer sobre assuntos de Estado ao mais alto nível.
Depois, vieram os soturnos episódios de que Oliveira e Costa nos deu
conta no Parlamento, com as buscas alucinadas por dinheiro das
Arábias. Surpreendentemente, quase até ao fim houve crédulos que
entraram credores de sobrolho carregado para almoços com Oliveira e
Costa nas históricas salas privadas do último andar da sede do BPN e
saíram accionistas dos dois mil milhões de bolhas especulativas que
agora os portugueses estão a pagar. Surpreendentemente também, o Banco
de Portugal nada detectou. Surpreendentemente, o presidente da
República protegeu o seu conselheiro, mesmo quando as dúvidas
diminuíam e as certezas se avoluma, cai o regimevam. De Oliveira e
Costa no Parlamento fica ainda no ar o seu ameaçador: "eu ainda não
contei tudo". Quando o fizer, provavelmente, cai o regime.
Francamente, com tudo o que se sabe, já não é sem tempo.