Europe
The Final Countdown
***
Joan Baez
We shall overcome
(Venceremos)
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Sábado, Fevereiro 27

A Grécia contra ataca!

Depois da forma como as autoridades europeias têm tratado o povo grego este começa a reagir de diversas formas.

As recentes declarações do Vice Primeiro Ministro grego, Theodoros Pangalos, são prova disso.





Então não é que este senhor chamou a atenção de que a Alemanha não tinha compensado a Grécia pelos prejuízos que este país sofreu com a ocupação nazi na II Guerra Mundial?

"Eles (os nazis) levaram o ouro grego que estava depositado no Banco da Grécia, levaram o dinheiro grego e nunca o devolveram"

Claro que a Alemanha que tem sido um dos maiores criticos da Grécia, rejeitou estas acusações dizendo que elas não eram úteis. Pudera!

O Senhor Pangalos sublinhou que se tratava de um assunto que teria de ser resolvido no futuro.

"Não digo que têm de devolver o dinheiro, mas, pelo menos, poderiam agradecer".

Este tipo de reacções tem tendência a aumentar quer com a Grécia quer com outros países.

É que a União Europeia lembra uma versão actualizada daquele ditado português, casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, só que, numa versão europeia, casa em que uns poucos ficam com o pão, todos ralham e ninguém tem razão.

Rangelisses

O Sr. Rangel quer ser Presidente do PSD, isto para já, pois no futuro e num futuro próximo aspira a ser Primeiro Ministro.

Nem quero imaginar o desastre que seria pois este cavalheiro aparenta ser um oportunista da pior espécie.

Foi o discurso em Estrasburgo sobre a pretensa censura em Portugal.

Foi a traição feita ao seu mentor Aguiar Branco.

E agora, o Arrastão chama-nos a atenção de que o cavalheiro nem diz coisa com coisa.

É que Rangel tem uma pedra no sapato, quer ser presidente do PSD mas é militante recente do PSD. Antes tinha sido outras coisas, por exemplo, militante do CDS.

E o que o Arrastão desencantou foram estas declarações de Rangel:

“Chegou a fazer parte do CDS? Sim, participei nuns conselhos? Mas foi mesmo militante? Isso é que eu também não sei? Eu tenho um problema com as militâncias (risos). Mas assinou um cartãozinho? Não sei se assinei. Não me lembro bem. Estou a dizer a verdade? A sério que não se lembra? Não me lembro!”
Paulo Rangel, 19 de Maio de 2009

“Escrevi a carta de renúncia no dia em que Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Portas romperam com o acordo para a Alternativa Democrática (AD)”
Paulo Rangel, 23 de Fevereiro de 2010

Francamente, problemas com as militâncias?! O gajo é um pulha e um pulha do pior.

Sexta-feira, Fevereiro 26

Rompuy troçado por um deputado inglês

Finalmente qualquer coisa interessante acontece no Parlamento Europeu.

O deputado inglês Nigel Farage, membro do UKIP, United Kingdom Independence Party, disse que o Senhor Vom Rompuy tinha o carisma de um damp rag, trapo húmido e a aparência de um empregado bancário de baixa categoria.

Pela minha parte fiquei chocado com a forma como este cavalheiro ofendeu os empregados bancários, mas enfim, devia estar farto de aturar o Von Rompuy.



Rompuy utiliza a Grécia

Segundo um documento da autoria do Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, Bruxelas pretende usar a crise grega para ganhar mais poder sobre os Estados Membros.

A ideia é a de Bruxelas poder monitorizar a forma como os Estados Membros conduzem as suas economias e com poder para obrigar a cortes na Segurança Social e a dominuir as protecções que a Lei dos Estados Membros dão aos seus trabalhadores.

Nesse documento Van Rompuy assegura que os Estados Europeus não podem continuar a pagar pensões decentes aos seus reformados e a assegurar cuidados de saúde para todos.

Sugere que uma janela para grandes reformas surgiu com a crise grega que minou as bases do Euro e que mostrou os limites das instâncias europeias para coordenar os gastos dos dezasseis países que partilham a moeda única.

Ver aqui.

Sexta-feira, Fevereiro 19

Que horror!

Confesso não ter o PSD em grande apreço.

Um dos poucos membros do PSD que me merecia algum respeito era o eurodeputado Paulo Rangel.

E digo "era" porque este cavalheiro nas últimas duas semanas conseguiu desbaratar completamente o tal respeito.

Primeiro foi a sua intervenção no Parlamento Europeu, levando lá para fora o que se devia limitar a ser um assunto interno.

Depois foi a sua atitude traiçoeira para com Aguiar Branco, seu ex-mentor no PSD.

Por fim, a cereja em cima do bolo, foi quem ele escolheu para dirigir a sua campanha para Presidente do PSD, nada mais nada menos do que o eurodeputado Mário David, o que ainda aqui há pouco tempo propunha que Saramago renunciasse à nacionalidade portuguesa (ver aqui).

Se me preocupa que Sócrates seja o nosso Primeiro-Ministro, nem quero pensar que alguém com o mau caracter de Paulo Rangel, possa vir a ser o seu sucessor.

Segunda-feira, Fevereiro 15

O Futuro

Este pequeno anúncio, a brincar, a brincar, dá-nos uma visão de um futuro terrível mas, se calhar não tão absurdo como pode parecer.

Sábado, Fevereiro 6

Euro

Já antes de termos aderido ao Euro que manifestava a noção de que tal adesão seria o desastre completo. Como se está a verificar.

Claro que o que há a fazer é abandonar o Euro o mais depressa possível. E quanto mais tempo demorarmos pior.

Nunca se fala em tal coisa, o assunto é tabu.

Mas hoje o Fiel Inimigo publica um artigo muito interessante (que se transcreve a seguir) sobre este tema:


Sair da Crise: 3+1-1

Ricardo Arroja escreve um pequeno e muito interessante post com três alternativas de saída da crise. Merecem que se discorra sobre elas e, já agora, tentar perceber se existem mais.


Uma primeira que ninguém aceita: a saída do euro.”

Como dizia a outra “não negue à partida uma ciência que não conhece”. Só que no caso a “ciência” não é
tarot mas antes a realidade despida da fé construtivista no ‘homo europeus’

A saída do euro não assume o dramatismo que vários
sustentam e muitos mais temem. Consideremos o que se passa na Grã-Bretanha. Se a economia inglesa se vai aguentando menos mal, apesar de o governo trabalhista ter cometido erros afins aos dos governos do sul da Europa, tal facto fica a dever-se à forte desvalorização a que a libra tem estado sujeita. Essa desvalorização constitui um mecanismo económico que permite a compensação dos desajustamentos internos na competitividade do país. Se a libra estivesse atada ao euro-marco a situação seria bastante pior.

Pode contrapor-se que em caso de saída do Portugal do euro haveria uma forte fuga de capitais. Muito provavelmente, sim, no imediato haveria. No entanto essa fuga já está a ocorrer agora em passo lento mas a acelerar através da contínua saída de investidores e capital de um país moribundo, sobre-endividado e caro.

O que é
efetivamente importante é que na eventualidade da saída da zona euro (por iniciativa própria ou por expulsão) a desvalorização consequente da nova moeda levaria ao reajustamento dos custos dos factores de produção internos que constituiria um contributo fundamental para reverter a situação atual tornando o país mais competitivo eatrativo ao investimento externo, potenciando o tão necessário aumento de exportações, dificultando a importação de bens de consumo (equilíbrio da balança de pagamentos) e adequado o preço do dinheiro à realidade económica interna.

Para os mais incrédulos é bom lembrar que a entrada de Portugal na zona euro contribuiu mais para a estagnação,
marginalização e endividamento da economia do que para o crescimento real da produção interna. A estagnação do crescimento português que começou há mais de uma década não coincide apenas com o aumento sempre crescente do peso do Estado; coincide também com a entrada na zona euro. Pior, coincide inequivocamente com o endividamento das famílias que decorreu da disponibilização de moeda de ricos em país de pobres (com taxas ‘euro’, desfasadas da realidade económica portuguesa), conduzindo a níveis de consumo incompatíveis com a riqueza gerada internamente.

Por fim, deve notar-se que a maior parte das economias da OCDE não pertencem à U.E. e, em simultâneo, têm em geral melhor desempenho que a U.E. Há mais vida para além do euro.


"
Uma segunda que poucos aceitam: uma verdadeira consolidação orçamental, que implicaria a redução significativa da despesa primária" [despesa direta do Estado, como por exemplo salários e aquisição de bens e serviços].

Inevitavelmente essa consolidação terá de acontecer e a tendência é que sejam cada vez mais os que entendem que é urgente porque quanto mais tarde for feita mais dolorosa será. Claro que esta consolidação é impossível com os
atuaisvendedores de banha-da-cobra que nos governam. Será preciso esperar pela boa-ventura de que os que vierem tomar conta do destroço após a fuga anunciada dos ratos mudarão de rota. E esta também é uma tragédia nacional, ter sempre de esperar pela sorte, pela boa-ventura de que os próximos sejam melhores que os anteriores, esperar sempre por Dom Sebastião. A parte boa é que lá muito de vez em quando ele aparece.


“E a terceira que, provavelmente, muitos estarão dispostos a aceitar: o recurso a empréstimos de outros membros da zona euro (táctica que, ao contrário do assistencialismo orçamental, não é proibida), mediante a cedência de soberania política aos países mais fortes da união monetária.”

Aqui Arroja equivoca-se duplamente. Em primeiro lugar, não se vislumbra como poderia um Estado-membro financiar
diretamente outro Estado-membro. Além do mais, o financiamento do orçamento português (incluindo o pagamento de amortizações e juros) já hoje é conseguido essencialmente por recurso a empréstimos com origem em entidades financeiras de Estados-membros da U.E. Ora, dado o caminho do abismo que tem vindo a ser percorrido pelas contas públicas portuguesas, é sabido que estas entidades bancárias financiam o endividamento português com conhecimento e anuência por omissão das autoridades reguladoras representantes dos Governos dos países de origem dos empréstimos.

O segundo equívoco de Arroja é supor que a “cedência de soberania política aos países mais fortes da união monetária” pode ser uma
contra partida. Na verdade, não pode. E não pode porque não se pode ceder o que está cedido, o que já não se tem. Portugal cedeu a sua soberania ao politburo da eurocracia ainda antes do Tratado de Lisboa.


Resta dizer que existe uma quarta alternativa que Arroja achou que nem merece referência; trata-se da alternativa
keynesiana, a dos crentes em geral e beatos em particular nos milagres económicos de Santo Estado-Gordo: aumentar ainda mais o peso do Estado e o endividamento do país, “única forma de fazer a economia reagir e sair da crise” dizem (diziam?) eles, os crentes, em tiradas de fezada, por mais que seja óbvio que vai ser penoso conseguir pagar o que já se deve e respectivos juros e que o endividamento é uma das componentes principais da desgraça do país. Ou será que, afinal, esta já não é alternativa? E por falar nisso, o que têm agora a dizer uns moços que há seis meses andavam tão empenhados a defender a importância do aumento do investimento público e do endividamento e a pedir não duas mas cinco linhas de TGV’s para Portugal?

Sexta-feira, Fevereiro 5

Uma almuniada

Este cavalheiro dá pelo nome de Joaquim Almunia é espanhol e actualmente desempenha funções de Comissário na Comissão Europeia lá por Bruxelas.
Como não devia ter mais nada que fazer, resolveu botar umas declarações em que comparava a situação portuguesa à grega e em que também acabava metendo a Espanha no mesmo saco.
Claro que com as funções que desempenha, as suas declarações têm eco. E um eco catastrófico, ontem a bolsa de Lisboa caíu a pique e só foi ultrapassada na sua queda pela de Madrid.
Com esta confusão e com uma data de investidores a queremrem-lhe a pele, veio esclarecer que aquelas afirmações que tinha feito, afinal não tinha feito. A culpa foi dos ignorantes dos jornalistas.
Realmente estes Comissários são uma miséria.

Quinta-feira, Fevereiro 4

A confusão do Tratado de Lisboa em pleno

O Departamento de Estado Americano explica a ausencia de Obama na cimeira com a UE pelo Tratado nde Lisboa


A decisão de Obama não estar presente na Cimeira US.EU em Madrid em Maio é devido à confusão causada pelos novos arranjos institucionais do Tratado de Lisboa.


Obama já está escaldado pelo que lhe aconteceun em Praga no ano passado sem nada de importante na agenda, hospedado por um governo demissionárioe com 27 chefes de estado a encontrarem-se com Obama para falarem dos mesmos assuntos e a lutarem entre eles para serem fotografados com o novo presidente.


Segundo parece Obama rambém está irritado pelo constante jogo de ping-pong entre a presidência espanhola e o Presidente permanente do Conselho, Herman Van Rompuy,


O exemplo do Presidente da Mongólia, Tsakhia Elbegdorj, que não percebeu que Presidente da Europa iróa encontrar, acabando por ser recebido por uma .mão cheiav de presidentes também ajugou à decisão do Presidente.


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Quarta-feira, Fevereiro 3

A ditadura!

Este texto já tem mais de dois anos mas mantém toda a actualidade e é bom recorda-lo para, mais uma vez, percebermos a que ponto Brixelas manda em nós e quanto isso nos custa.




«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007

Eles estão doidos!

Por António Barreto

A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.

A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.

EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!

Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.

Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.

Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.

Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou.

É proibido.


Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.

Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.

Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.

Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.

Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.

Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.

Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.

É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.

Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.

AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.

Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.

Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.

Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.

No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.

Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.

Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.

Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.

Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.

Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.

As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.

As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.

Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.

Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.

O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.

«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007