É o título de uma análise do O Bank of America Merrill Lynch sobre o corte da dívida de Portugal e da Grécia por parte da Standard & Poor s.
É que a agência de rating S&P cortou o rating de Portugal em dois níveis, para A- e o da Grécia em três níveis, para BB+.
Claro que estes cortes têm efeitos muito negativos fazendo subir os encargos da dívida dos estados afectados e, se o estado se encontra em mau estado, cortes no rating liquidam-no.
Estamos numa situação terrível. Quando foi da última campanha para a presidência da república, Mário Soares disse que era o Euro que nos colocava ao abrigo de ataques especulativos ao Escudo. O que ele não disse é que o Euro nos expõe a ataques especulativos muito mais violentos, ataques especulativos ao Euro e, pior, sem o país ter instrumentos para se defender pois todos esses instrumentos estão na mão do BCE.
A situação é trágica e precisavamos de um governo com coragem que desse um murro na mesa e nos tirasse do Euro, custasse o que custasse.
Infelizmente não parece termos um Governo com essa coragem e iremos caindo, caindo, até haver uma explosão social. Explosão essa que acontecerá, naturalmente, em vários países europeus.
A estupidez dos euro-entusiastas que nos meteram no Euro e a tudo o que cheirasse a integração acabará em sangue e ditará provavelmente o fim da União Europeia ou, pelo menos, o fim da UE tal como a conhecemos.
Há, já agora, o tal estudo do Bank of America ilustra o peso diminuto de Portugal e da Grécia na UE, sublinhando que a China importa mais aos grandes da UE do que Portugal ou a Grécia!
Tendo em atenção de que Portugal ou a Grécia têm à volta de dez milhões de habitantes e a China à volta de mil e trezentos milhões, a comparação é, no mínimo, ridícula.
Quarta-feira, Abril 28
A lata dos gajos!
Do site da TSF retirei esta notícia:
...
O primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, Campos e Cunha., responsabiliza o primeiro-ministro pelo que está a acontecer e entende que José Sócrates devia ter antecipado este problema.
Campos e Cunha receia que Portugal siga o caminho da Grécia e afirma que é preciso recuar muito tempo para encontrar notícias tão más para a economia portuguesa.
«A culpa não é dos ataques especulativos. É evidente que os mercados reagem a notícias e Portugal não dá notícias. O primeiro-ministro não fez uma afirmação clara nos últimos dois meses, não fez compromissos políticos, claros e públicos, não actuou em conformidade com a gravidade da situação, parecia que estava a governar ou não governar como se nada estivesse a acontecer», adiantou.
...
Eduardo Catroga, um outro antigo ministro das Finanças, confessa que não ficou surpreendido com o cenário que Portugal vive e lamenta que o Governo não tenha criado condições para travar esta crise. ...
...
Também Medina Carreira afirma que há muito se devia ter feito o necessário para uma economia saudável, considerando que é desnecessário criticar a especulação.
...
A TSF ouviu ainda um outro ministro das Finanças, Miguel Beleza, adiantando que um Governo de Bloco Central era uma boa solução para ultrapassar esta crise.
Todos estes senhores foram Ministros das Finanças e todos estes senhores, tivessem feito o que tivessem feito e, concordo que Campos e Cunha não teve muito tempo para fazer o que quer que fosse (felizmente) só parecem ter uma receita, cortes, cortes e mais cortes. No fim teriamos uma economia saudável, só com bons indicadores mas num cemitério, pois os cidadãos deste país não podem ser tratados como lixo.
E, quando se critica a Grécia e se diz que nós não somos a Grécia esquecem-se de que realmente não somos a Grécia, infelizmente...
É que a Grécia que ainda há uns anos tinha um produto interno igual ou mesmo levemente inferior ao português, actualmente tem, para uma população semelhante, um produto interno (em paridade de poder de compra) de USD$ 341.000.000.000, em 34º lugar no ranking mundial do CIA Factbook enquanto que Portugal tem um produto interno (também em ppc) de USD$ 233.400.000.000, em 50º lugar no mesmo ranking, isto é, o PIB grego é uns 46% superior ao nosso!
Bastava a Grécia adptar a tabela salarial da Função Pública portuguesa para os seus mais de um milhão de funcionários públicos (a Grécia tem mais de um milhão de funcionários públicos enquanto que nós nem 700.000 temos) para todos os problemas gregos ficarem resolvidos a curto prazo.
E ainda ficava com margem para outras manobras como por exemplo aumentar a idade da reforma de 60 anos para os nossos 65, ou baixar as suas despesas militares de 4,3% do PIB (26ª mundiais) para os nossos 2,3% (72º mundiais).
A médio e longo prazo o problema iria reaparecer pois a causa real está na adesão ao Euro mas isso é outra história.
Ex-ministros das Finanças responsabilizam Sócrates por crise
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O primeiro ministro das Finanças de José Sócrates, Campos e Cunha., responsabiliza o primeiro-ministro pelo que está a acontecer e entende que José Sócrates devia ter antecipado este problema.
Campos e Cunha receia que Portugal siga o caminho da Grécia e afirma que é preciso recuar muito tempo para encontrar notícias tão más para a economia portuguesa.
«A culpa não é dos ataques especulativos. É evidente que os mercados reagem a notícias e Portugal não dá notícias. O primeiro-ministro não fez uma afirmação clara nos últimos dois meses, não fez compromissos políticos, claros e públicos, não actuou em conformidade com a gravidade da situação, parecia que estava a governar ou não governar como se nada estivesse a acontecer», adiantou.
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Eduardo Catroga, um outro antigo ministro das Finanças, confessa que não ficou surpreendido com o cenário que Portugal vive e lamenta que o Governo não tenha criado condições para travar esta crise. ...
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Também Medina Carreira afirma que há muito se devia ter feito o necessário para uma economia saudável, considerando que é desnecessário criticar a especulação.
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A TSF ouviu ainda um outro ministro das Finanças, Miguel Beleza, adiantando que um Governo de Bloco Central era uma boa solução para ultrapassar esta crise.
Todos estes senhores foram Ministros das Finanças e todos estes senhores, tivessem feito o que tivessem feito e, concordo que Campos e Cunha não teve muito tempo para fazer o que quer que fosse (felizmente) só parecem ter uma receita, cortes, cortes e mais cortes. No fim teriamos uma economia saudável, só com bons indicadores mas num cemitério, pois os cidadãos deste país não podem ser tratados como lixo.
E, quando se critica a Grécia e se diz que nós não somos a Grécia esquecem-se de que realmente não somos a Grécia, infelizmente...
É que a Grécia que ainda há uns anos tinha um produto interno igual ou mesmo levemente inferior ao português, actualmente tem, para uma população semelhante, um produto interno (em paridade de poder de compra) de USD$ 341.000.000.000, em 34º lugar no ranking mundial do CIA Factbook enquanto que Portugal tem um produto interno (também em ppc) de USD$ 233.400.000.000, em 50º lugar no mesmo ranking, isto é, o PIB grego é uns 46% superior ao nosso!
Bastava a Grécia adptar a tabela salarial da Função Pública portuguesa para os seus mais de um milhão de funcionários públicos (a Grécia tem mais de um milhão de funcionários públicos enquanto que nós nem 700.000 temos) para todos os problemas gregos ficarem resolvidos a curto prazo.
E ainda ficava com margem para outras manobras como por exemplo aumentar a idade da reforma de 60 anos para os nossos 65, ou baixar as suas despesas militares de 4,3% do PIB (26ª mundiais) para os nossos 2,3% (72º mundiais).
A médio e longo prazo o problema iria reaparecer pois a causa real está na adesão ao Euro mas isso é outra história.
Quinta-feira, Abril 22
Uma boca do ex.Presidente Sampaio
Não estou nada satisfeito com a qualidade da democracia.
É espantoso que alguém que foi Presidente da República durante dez anos só agora descubra isto!!!
O que é que ele fazia em Belém?
Condenado o último ditador argentino
Isto é, o último ditador dos tempos da ditadura militar. Chama-se Reynaldo Bignone, tem 82 anos e foi condenado a 25 anos de cadeia, podendo portanto sair em liberdade aos 107 anos.
Quarta-feira, Abril 21
Mais uma machadada na democracia
A Comissão Europeia está a preparar-se para obrigar os governos dos Estados Membros a submeter os seus orçamentos à Comissão antes de os levar aos seus parlamentos. Isto quer para os países que já aderiram ao Euro quer para os países que ou ainda não aderiram ou que não têm mesmo tenções de aderir.
Com isto pergunta-se para que é que serve os países terem eleições e parlamentos. Só para se poder dizer que somos democratas?
Com isto pergunta-se para que é que serve os países terem eleições e parlamentos. Só para se poder dizer que somos democratas?
Terça-feira, Abril 20
Mais um direito humano...
A UE declara que o turismo é um direito humano e planeia subsidiar férias no estrangeiro aos cidadãos mais desfavorecidos, pensionistas e estudantes.
A ideia é dar incentivos para viajar na estação baixa. O projecto deverá custar centenas de milhões de Euros!
É espantoso que enquanto uns propõem cortar na saúde e nas reformas por não haver dinheiro, outros propõem gasta-lo em férias!
Bom, a nossa sorte é que, uma vez não é exemplo, por sermos um país turistico talvez ganhemos alguma coisa com este projecto.
A ideia é dar incentivos para viajar na estação baixa. O projecto deverá custar centenas de milhões de Euros!
É espantoso que enquanto uns propõem cortar na saúde e nas reformas por não haver dinheiro, outros propõem gasta-lo em férias!
Bom, a nossa sorte é que, uma vez não é exemplo, por sermos um país turistico talvez ganhemos alguma coisa com este projecto.
Segunda-feira, Abril 19
Custo da regulação
Investigações feitas no Reino Unido e baseadas em experiências de homens de negócio e directores, mostraram que a regulação, principalmente originária em Bruxelas, custa aos negócios 80 mil milhões de Libras por ano.
E que os directores gastam 13 horas por mês a lidar com a regulação e a força de trabalho 73 horas por mês.
Isto parece ser assim no Reino Unido. Por cá, como é que será?
E que os directores gastam 13 horas por mês a lidar com a regulação e a força de trabalho 73 horas por mês.
Isto parece ser assim no Reino Unido. Por cá, como é que será?
A confusão europeia
A indústria do transporte aéreo critica a incapacidade da União Europeia coordenar a resposta à actual crise.
O Le Monde cita Giovanni Bisignani, Presidente da IATA (International Air Transport Association) que diz que a resposta à nuvem de cinzas volcânicas que parou o transporte aéreo em toda a Europa é um embaraço para a Europa e uma grande confusão europeia. Levou cinco dias para organizar uma conferência telefónica de Ministros do Transporte!
O Le Monde cita Giovanni Bisignani, Presidente da IATA (International Air Transport Association) que diz que a resposta à nuvem de cinzas volcânicas que parou o transporte aéreo em toda a Europa é um embaraço para a Europa e uma grande confusão europeia. Levou cinco dias para organizar uma conferência telefónica de Ministros do Transporte!
Quinta-feira, Abril 15
Como vai a iniciativa dos cidadãos na União Europeia
O Tratado de Lisboa abriu a possibilidade de um grupo de cidadãos europeus fazerem um abaixo assinado que, se tivesse um mínimo de um milhão de assinaturas obrigaria a Comissão Europeia a debruçar-se sobre o assunto que o abaixo assinado versava.
Note-se que a Comissão não era obrigada a fazer nada, era só obrigada a analisar o assunto. O que, obviamente, não impedia que dessa análise saisse uma qualquer iniciativa legislativa.
Agora a Comissão resolveu regulamentar esta iniciativa.
Segundo os planos da Comissão, as assinaturas têm de vir de pelo menos nove Estados Membros (um terço dos Estados) e atingir um dado mínimo em cada país.
Além de que os que assinarem a iniciativa deverão dar uma data de dados, a saber, Nome, morada, email, data e local de nascimento e números de passaporte, Bi e Segurança SociaL.
E depois disto tudo, a Comissão ainda se arroga o direito de rejeitar qualquer iniciativa que considerem ser contra os valores europeus.
Resta a saber se, depois disto tudo ainda acabará por aparecer alguma iniciativa!
Quarta-feira, Abril 14
Recordar é viver...
Agora que o PSD tirou um Coelho da cartola e já fala como se ele fosse Primeiro Ministro e um primeiro Ministro que com o PSD a empurra-lo resolverá todos os problemas do país, o Câmara Corporativa recorda-nos um texto do Professor João Ferreira do Amaral sobre a descgraça que foi o Governo da AD com o magnifico Cavaco Silva ao leme das Finanças:
“O crescimento do produto, que ainda tinha sido de 7,1% em 1979, caiu para 2,0% em 1982 e manteve-se estagnado entre 1983 e 1985. A situação macroeconómica agravou-se de novo: a inflação, que tinha caído para 16,6% em 1980, regressou aos valores acima de 20%; o défice público subiu para 12,5% do PIB em 1981; e a balança corrente, que estava praticamente equilibrada em 1978, deteriorou-se rapidamente, atingindo níveis de défice sem precedentes, de 10,8% do PIB em 1981 e 12,9% em 1982. Com o agravamento dos desequilíbrios macroeconómicos, o país voltou a recorrer ao endividamento externo que, em apenas três anos, atingiu valores insustentáveis. Em consequência, voltou-se a recorrer à venda do ouro, mas a gravidade da crise levou à queda do Governo da Aliança Democrática.”¹
__________
¹ Amaral, João Ferreira do et al., (2008). Economia do Crescimento. Coimbra, Almedina, p. 316.
É que o PSD no Governo foi sempre uma desgraça, desbarataram as finanças públicas, levaram a demagogia aos pincaros e, protegidos por uma Comunicação Social simpática, nunca ficaram com as culpas, estas foram sempre deixadas para outros.
É que PSD são as iniciais de Partido Super Demagógico...
“O crescimento do produto, que ainda tinha sido de 7,1% em 1979, caiu para 2,0% em 1982 e manteve-se estagnado entre 1983 e 1985. A situação macroeconómica agravou-se de novo: a inflação, que tinha caído para 16,6% em 1980, regressou aos valores acima de 20%; o défice público subiu para 12,5% do PIB em 1981; e a balança corrente, que estava praticamente equilibrada em 1978, deteriorou-se rapidamente, atingindo níveis de défice sem precedentes, de 10,8% do PIB em 1981 e 12,9% em 1982. Com o agravamento dos desequilíbrios macroeconómicos, o país voltou a recorrer ao endividamento externo que, em apenas três anos, atingiu valores insustentáveis. Em consequência, voltou-se a recorrer à venda do ouro, mas a gravidade da crise levou à queda do Governo da Aliança Democrática.”¹
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¹ Amaral, João Ferreira do et al., (2008). Economia do Crescimento. Coimbra, Almedina, p. 316.
É que o PSD no Governo foi sempre uma desgraça, desbarataram as finanças públicas, levaram a demagogia aos pincaros e, protegidos por uma Comunicação Social simpática, nunca ficaram com as culpas, estas foram sempre deixadas para outros.
É que PSD são as iniciais de Partido Super Demagógico...
Terça-feira, Abril 13
Ainda a política energética do nosso Governo
Todos nós sabemos que Portugal vai na carruagem da frente em políticas energéticas tendo investido no campo das renováveis e transformado o país num exemplo para o Mundo. Pelo menos é assim que o Governo nos apresenta a sua política energética.
Claro que a realidade está muito longe do que o paraíso idilico que o Governo nos apresenta. Mas, enfim, se a demagogia fosse petróleo, Portugal seria certamente dos países mais ricos do Mundo...
Uma das ideias geniais que está sendo posta em prática é a de aproveitar as horas, principalmente nocturnas, de vento, quando os geradores eólicos estáo a trabalhar em força e que o consumo é baixo, para reverter as barragens, isto é, utilizar a electricidade produzida pelas eólicas e que não tem utilização, para reconduzir a água que correu para fora das barragens, novamente para a albufeira da barragem de forma a poder ser utilizada quando for necessário para novamente produzir electricidade.
Claro que isto coloca vários problemas.
O primeiro é que a electricidade produzida pelas eólicas é comprada ao produtor por um preço várias vezes superior áquele a que a electricidade é vendida ao público.
É um negócio que só é rentável porque o Estado garante aquele preço, por mais inflacionado que esteja. No fim somos todos nós que acabamos pagando este preço inflacionado.
Outro problema é que qualquer transformação de energia acarreta desperdícios elevados. Isto é, um Kw produzido por uma eólica é transformado em energia potencial (colocação da água na Albufeira) e, quando necessário, a água colocada na Albufeira passa pelas turbinas e produz novamente electricidade.Mas, existem os tais deperdícios, 1Kw de electricidade eólica irá dar origem a muito menos de 1Kw à saída da barragem, provavelmente menos de 50%.
Ora se o preço a que o Estado compra a electricidade eólica for duplo do preço a que a energia é vendida ao consumidor e se se utilizar uma barragem para guardar o excesso, este excesso, quando for novamente transformado em electricidade irá dar origem provavelmente a meio Kw ou ainda menos.
Logo, se a electricidade eólica saí a um preço duplo ou menos triplo do preço corrente, a electricidade produzida na barragem, esta deverá sair por um preço quatro a doze vezes maior ainda do que a electricidade corrente.
Claro que a realidade está muito longe do que o paraíso idilico que o Governo nos apresenta. Mas, enfim, se a demagogia fosse petróleo, Portugal seria certamente dos países mais ricos do Mundo...
Uma das ideias geniais que está sendo posta em prática é a de aproveitar as horas, principalmente nocturnas, de vento, quando os geradores eólicos estáo a trabalhar em força e que o consumo é baixo, para reverter as barragens, isto é, utilizar a electricidade produzida pelas eólicas e que não tem utilização, para reconduzir a água que correu para fora das barragens, novamente para a albufeira da barragem de forma a poder ser utilizada quando for necessário para novamente produzir electricidade.
Claro que isto coloca vários problemas.
O primeiro é que a electricidade produzida pelas eólicas é comprada ao produtor por um preço várias vezes superior áquele a que a electricidade é vendida ao público.
É um negócio que só é rentável porque o Estado garante aquele preço, por mais inflacionado que esteja. No fim somos todos nós que acabamos pagando este preço inflacionado.
Outro problema é que qualquer transformação de energia acarreta desperdícios elevados. Isto é, um Kw produzido por uma eólica é transformado em energia potencial (colocação da água na Albufeira) e, quando necessário, a água colocada na Albufeira passa pelas turbinas e produz novamente electricidade.Mas, existem os tais deperdícios, 1Kw de electricidade eólica irá dar origem a muito menos de 1Kw à saída da barragem, provavelmente menos de 50%.
Ora se o preço a que o Estado compra a electricidade eólica for duplo do preço a que a energia é vendida ao consumidor e se se utilizar uma barragem para guardar o excesso, este excesso, quando for novamente transformado em electricidade irá dar origem provavelmente a meio Kw ou ainda menos.
Logo, se a electricidade eólica saí a um preço duplo ou menos triplo do preço corrente, a electricidade produzida na barragem, esta deverá sair por um preço quatro a doze vezes maior ainda do que a electricidade corrente.
Segunda-feira, Abril 12
O Europeismo e as nossas desgraças
O Eurotalk é um blog da correspondente do Público em Bruxelas, Isabel Arriaga e Cunha.
É um blog todo virado para a temática europeia no ponto de vista da Europa Über Alles, da Europa acima de tudo em que o aprofundamento da integração europeia é visto como um bem em si mesmo, custe o que custar aos povos da Europa. Qualquer medida é vista por este prisma, se cheira a integração é, por definição, positiva. Se não cheira, vade retro Satanás, é um passo atrás, é uma manobra de anti-europeistas... Mesmo uma hipotética inacção é mal vista e considerada como uma travagem no caminho triunfal da total integração.
Assim, o Durão Barroso é criticado e aquele belga intragável que foi guindado a Presidente do Conselho Europeu é elogiado num estilo perfeitamente Norte-coreano!
Mas, a autora do blog, honra lhe seja feita, não censura os comentários como é habitual nos europeistas o que tem transformado aquele blog num interessante espaço de debate.
Vejam-se, por exemplo, a catadupa de comentários aqui, aqui e também aqui e ainda aqui. Há, e já me esquecia, também aqui, aqui e aqui.
De uma forma geral os comentários foram protagonizados por mim, por um tal A.Küttner, pela autora do blog e por mais um ou dois leitores.
A posição da maior parte dos comentadores (eu sou a honrosa excepção) vai na linha do blog, Europa, Europa e mais Europa.
Por mais dúvidas e questões que eu colocasse, o mais que conseguia era a acusação de que só insultava e não tinha ideias(!).
Tive também alguns conselhos e recomendações, desde que o melhor era ir para outro lado pois aquele blog era um blog europeu e que eu estava deslocado lá, até à de formar um partido, concorrer às eleições para o PE e minar a UE por dentro!!!
Bom, o sumo que se tiram daqueles comentários todos é assustador, é de uma mão cheia de cidadãos (espero que sejam minoritários) dispostos a sacrificar tudo, o nosso futuro e o dos nossos descendentes por uma integração europeia. Assim, todos os instrumentos da integração são elogiados.
O cúmulo é chegar-se a elogiar o Tratado de Lisboa, Tratado que está a gerar problemas atrás de problemas, Tratado cujo principal objectivo era o de tornar mais ágil o processo de decisão, pois diziam os seus apoiantes que não se podia gerir eficazmente uma união a vinte sete com Tratados feitos para um número de países substancialmente inferior e que, cem dias depois de entrar em vigor, já baralhou de tal forma o processo de decisão que já há vozes a pedir um novo Tratado!
E elogiou-se com que argumento? Com o argumento de que está a causar problemas pois eles só provam que a Europa está viva!!!!
My God! Como é possível tanta cegueira? Como é possível não se começar por chamar à pedra os seus autores?
Outro ponto interessante é o de nunca se por em causa o Euro, o de não reconhecer que não é a Grécia que está com problemas, quem está com problemas é o Euro.
Por fim, houve referências à tanatocracia, governo pelos mortos, com o invocar a falta que cá fazem Mitterrand, Olof Palme, Willy Brant, etc. É que a melhor forma de um político passar de besta a bestial é o de morrer, se preferível de uma forma trágica...
Resumindo, o que o blog da Isabel mostra é porque é que estamos mal e porque é que cada vez ficamos pior, é que termos cidadãos que acreditam religiosamente num projecto que nos afecta a todos e que, por acreditarem nele os leva a ignorar os seus custos e consequências e os impede sequer de considerar a necessidade de fazer um ponto de situação que detecte os erros cometidos e nos ajude a determinar qual o caminho a seguir.
É um blog todo virado para a temática europeia no ponto de vista da Europa Über Alles, da Europa acima de tudo em que o aprofundamento da integração europeia é visto como um bem em si mesmo, custe o que custar aos povos da Europa. Qualquer medida é vista por este prisma, se cheira a integração é, por definição, positiva. Se não cheira, vade retro Satanás, é um passo atrás, é uma manobra de anti-europeistas... Mesmo uma hipotética inacção é mal vista e considerada como uma travagem no caminho triunfal da total integração.
Assim, o Durão Barroso é criticado e aquele belga intragável que foi guindado a Presidente do Conselho Europeu é elogiado num estilo perfeitamente Norte-coreano!
Mas, a autora do blog, honra lhe seja feita, não censura os comentários como é habitual nos europeistas o que tem transformado aquele blog num interessante espaço de debate.
Vejam-se, por exemplo, a catadupa de comentários aqui, aqui e também aqui e ainda aqui. Há, e já me esquecia, também aqui, aqui e aqui.
De uma forma geral os comentários foram protagonizados por mim, por um tal A.Küttner, pela autora do blog e por mais um ou dois leitores.
A posição da maior parte dos comentadores (eu sou a honrosa excepção) vai na linha do blog, Europa, Europa e mais Europa.
Por mais dúvidas e questões que eu colocasse, o mais que conseguia era a acusação de que só insultava e não tinha ideias(!).
Tive também alguns conselhos e recomendações, desde que o melhor era ir para outro lado pois aquele blog era um blog europeu e que eu estava deslocado lá, até à de formar um partido, concorrer às eleições para o PE e minar a UE por dentro!!!
Bom, o sumo que se tiram daqueles comentários todos é assustador, é de uma mão cheia de cidadãos (espero que sejam minoritários) dispostos a sacrificar tudo, o nosso futuro e o dos nossos descendentes por uma integração europeia. Assim, todos os instrumentos da integração são elogiados.
O cúmulo é chegar-se a elogiar o Tratado de Lisboa, Tratado que está a gerar problemas atrás de problemas, Tratado cujo principal objectivo era o de tornar mais ágil o processo de decisão, pois diziam os seus apoiantes que não se podia gerir eficazmente uma união a vinte sete com Tratados feitos para um número de países substancialmente inferior e que, cem dias depois de entrar em vigor, já baralhou de tal forma o processo de decisão que já há vozes a pedir um novo Tratado!
E elogiou-se com que argumento? Com o argumento de que está a causar problemas pois eles só provam que a Europa está viva!!!!
My God! Como é possível tanta cegueira? Como é possível não se começar por chamar à pedra os seus autores?
Outro ponto interessante é o de nunca se por em causa o Euro, o de não reconhecer que não é a Grécia que está com problemas, quem está com problemas é o Euro.
Por fim, houve referências à tanatocracia, governo pelos mortos, com o invocar a falta que cá fazem Mitterrand, Olof Palme, Willy Brant, etc. É que a melhor forma de um político passar de besta a bestial é o de morrer, se preferível de uma forma trágica...
Resumindo, o que o blog da Isabel mostra é porque é que estamos mal e porque é que cada vez ficamos pior, é que termos cidadãos que acreditam religiosamente num projecto que nos afecta a todos e que, por acreditarem nele os leva a ignorar os seus custos e consequências e os impede sequer de considerar a necessidade de fazer um ponto de situação que detecte os erros cometidos e nos ajude a determinar qual o caminho a seguir.
Um coelho da Cartola
O Eng. Ângelo Correia, membro distinto do PSD, ex-ministro, autor da grande inventona dos pregos quando era Ministro, comentador da SIC membro dos Conselhos de Administração de mais de uma dúzia de empresas e Presidente da Câmara de Comércio Luso-Árabe, resolveu meter o PSD na ordem.Para tal começou por tirar um coelho da cartola, o seu protegido Pedro Passos Coelho e após uma muito bem elaborada campanha, conseguiu catapulta-lo para Presidente do PSD e, claro, candidato a Primeiro Ministro.
No PSD já se dá como facto adquirido que mais um ou dois anos e teremos Passos Coelho em São Bento. E, o mais espantoso é que muita imprensa acompanha o PSD neste desejo.
Em princípio a única coisa que tenho contra PPC é ser do PSD, ainda por cima da ala mais liberal e deve estar a preparar-se para enterrar o país ainda mais do que o Sócrates já enterrou.
Mais, o PPC até me parece uma pessoa competente.
Mas é espantoso que se este a propor para Primeiro Ministro alguém sem qualquer experiência governativa.
Veja-se, por exemplo, o curriculo dele tal como vem na Wikipedia:
Pedro Manuel Mamede Passos Coelho (n. Coimbra, 24 de Julho de 1964), administrador de empresas e político português.
Depois da infância em Angola, onde o pai exercia medicina, estabeleceu-se com a família em Vila Real, onde fez estudos no Liceu Nacional Camilo Castelo Branco. Actualmente a residir em Massamá, é casado e tem três filhas.
Chegado à política muito novo, teve um longo percurso na Juventude Social Democrata, onde foi membro do Conselho Nacional (1980-1982) e presidente da Comissão Política (1990-1995). Foi deputado à Assembleia da República, pelo Círculo de Lisboa, nas VI e VII Legislaturas (1991-1999), onde integrou a Assembleia Parlamentar da OTAN (1991-1995) e foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD (1996-1999). Foi candidato a presidente da Câmara Municipal da Amadora, eleito vereador (1997-2001).
Quando tinha trinta e seis anos, finalizou a sua licenciatura em Economia, pela Universidade Lusíada de Lisboa (2001). Foi consultor da Tecnoforma (2000-2004), consultor da LDN Consultores (2001-2004), director do Departamento de Formação e coordenador do Programa de Seminários da URBE - Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção (2003-2004), até ingressar como director financeiro no Grupo Fomentinvest (2004-2006), tornando-se num dos braços direitos de Ângelo Correia. Passou a membro da Comissão Executiva (em 2007), funções que acumulou com as de presidente do Conselho de Administração da HLCTejo (2007-2009).
Foi vice-presidente do PSD, durante a liderança de Luís Marques Mendes (2005-2006), é presidente da Assembleia Municipal de Vila Real (desde 2005), e foi candidato à presidência do PSD (em Maio de 2008), onde propôs pela primeira vez uma revisão programática de orientação neoliberal. Derrotado por Manuela Ferreira Leite, fundou com um conjunto de apoiantes seus, o think-tank Construir Ideias. Em 21 de Janeiro de 2010, lançou o livro Mudar e assumiu-se, novamente, candidato à liderança do PSD, nas eleições directas de Março de 2010. Foi eleito presidente do PSD a 26 de Março de 2010.
Disto tudo tira-se que o cargo que exerceu mais próximo do de Primeiro Ministro foi o de vereador na Cãmara da Amadora, cargo que largou há nove anos.
Não é por nada, mas para se chegar a Primeiro Ministro não seria conveniente ter-se passado durante alguns tempos por um cargo Ministerial? Ou, pelo menos, Chefe de Gabinete de um governante?
Domingo, Abril 11
Manifesto por uma nova política energética em Portugal
O Ecotretas publica um manifesto por uma política energética em Portugal com o qual concordo e, por isso, o reproduzo a seguir.
É que temos um Governo que em vez de cuidar do bem estar dos seus cidadãos, isto é, dos cidadãos que o elegeram, entretem-se a levar à pratica políticas energéticas baseadas em ideologias fundamentalistas independentemente do que isso possa custar ao país.
Quanto ao manifesto só é pena que o Ecotretas não indique qual a sua origem.
Manifesto por uma nova política energética em Portugal
1. A energia encontra-se na base do desenvolvimento económico de qualquer país. No caso de Portugal, em que a situação económica se tem vindo a degradar de forma vertiginosa nos últimos anos, com crescimentos insignificantes do PIB, sempre abaixo da média da União Europeia, a política energética carece de uma profunda revisão, na medida em que os custos associados à energia podem ter reflexos extremamente negativos nas condições de vida dos cidadãos e na actividade das empresas.
Existe um consenso alargado de que o nosso país terá de fazer uma aposta importante na sua competitividade internacional e para isso, é necessário que as nossas empresas disponham de energia a preços internacionalmente competitivos.
Os efeitos da actual política energética, principalmente no sector da electricidade, são particularmente graves, pois perdurarão negativamente mesmo que sejam eliminados os outros factores de atraso económico e condicionará qualquer possibilidade de atracção de investimento, seja ele nacional ou estrangeiro. Todas as estratégias de saída da crise se baseiam na necessidade de aumento da competitividade empresarial, que o custo da energia irá prejudicar.
2. Tem-se procurado convencer a opinião pública do pretenso sucesso da actual política energética, chegando ao ponto de tentar passar a ideia de que Portugal está a dar lições ao mundo em termos de tecnologias da energia, uma originalidade que, alegadamente, permitiria ao país dispor de uma economia extremamente competitiva no século XXI.
Esta mensagem não podia estar mais longe da realidade.
A actual política energética tem vindo a ser dominada por decisões que se traduzem pela promoção sistemática de formas de energia "politicamente correctas", como a eólica e a fotovoltaica, mas que apenas sobrevivem graças a imposições de carácter administrativo que garantem a venda de toda a produção à rede eléctrica a preços injustificadamente elevados.
3. A natureza intermitente e incontrolável das energias eólica e fotovoltaica torna-as incapazes de satisfazer, não só a totalidade do consumo, como a potência necessária em determinadas horas do dia e épocas do ano, o que exige que se continue a dispor de centros produtores controláveis de substituição e a recorrer com frequência a importações de Espanha.
Assim sendo, apesar das melhorias decorrentes do DL 33-A/2005, que impôs o aumento da incorporação de valor nacional nas eólicas e a redução das tarifas a praticar pelos novos operadores, a verdade é que a corrida a estas energias não tem tido um efeito sensível na redução do endividamento externo.
Por outro lado, a multiplicação de fontes primárias intermitentes dificulta cada vez mais o controlo global do sistema eléctrico. Tanto pode forçar alguns dos centros produtores tradicionais a regimes de funcionamento limitados e ineficientes, como, em certas épocas do ano, pode obrigar a dissipar, ou a exportar a preço nulo (!) a produção renovável em excesso.
4. A subsidiação concedida aos produtores destas formas de energia é ainda excessiva e tem contribuído para agravar de forma injustificada os preços da energia eléctrica ao consumidor final, em particular das famílias, sobre os quais a legislação faz recair o sobrecusto da Produção em Regime Especial (PRE).
O sobrecusto da PRE, se reflectido de imediato nas tarifas de electricidade, daria origem a aumentos incomportáveis, uma perspectiva eleitoralmente inconveniente e razão pela qual tem vindo a ser dissimulado numa conta controversa, o chamado "défice tarifário".
Este défice não é mais do que uma dívida que as famílias vão ter de pagar, ao longo de vários anos, juntamente com os juros decorrentes da dívida junto das instituições bancárias. Na verdade, face à garantia dada pelo Estado através do DL 165/2008, o défice tarifário constitui já uma forma de dívida pública oculta.
Em 2009 o défice tarifário acumulado atingiu um valor assustador, superior a 2000 milhões de Euros. E, a manter-se a actual política, é inevitável que o sobrecusto destas fontes de energia venha a crescer nos próximos anos, o que conduzirá a um aumento brutal do preço da electricidade para os consumidores, agravando inexoravelmente não só as condições de vida de todos os portugueses como a competitividade exportadora nacional.
5. Para tornar o panorama mais sombrio, está em curso a construção de empreendimentos hidroeléctricos dotados de equipamentos reversíveis, alegadamente destinados a "armazenar o excesso de produção eólica" mediante bombagem hidroeléctrica, um projecto a que foi dada a designação de "complementaridade hídrica-eólica".
Embora se reconheça a vantagem destes empreendimentos na melhoria da gestão global do sistema eléctrico, bem como na constituição de reservas estratégicas de água, a bombagem hidroeléctrica é um processo que enferma de perdas inevitáveis de energia, pelo que acabará por redundar no desperdício da energia eólica e fotovoltaica utilizada na bombagem.
Além disso, sendo a energia dos parques eólicos actualmente em exploração vendida à rede eléctrica nacional a preços que frequentemente triplicam o valor corrente de mercado, a complementaridade hídrica-eólica não faria qualquer sentido para as empresas concessionadas se não fossem os consumidores a suportar os sobrecustos da produção eólica.
6. A subsidiação do sobrecusto das energias renováveis não pode constituir uma prática permanente. Apenas se poderá justificar por períodos limitados de tempo e em fases iniciais próprias dos processos de desenvolvimento tecnológico. Em Portugal tem sido uso corrente tentar viabilizar à força mesmo aquelas que uma análise económica rigorosa teria eliminado à partida.
Todas as formas de produção de energia eléctrica que são privilegiadas pela política de preços administrativos revelam valores várias vezes superiores aos de mercado. Para além da energia de origem eólica, a um preço médio de aquisição em 2010 de 91 Euros/MWh, a fotovoltaica tem um preço de 344 Euros/MWh e no caso da micro-geração doméstica, para quantidades garantidas e já comercialmente relevantes, os preços são de 587 Euros/MWh. Tudo isto constitui uma verdadeira aberração económica cujas consequências dramáticas para a economia do país são já evidentes a partir dos dados publicados pela ERSE.
7. O Governo português assumiu, como inquestionável, que seria possível conseguir uma substituição progressiva e eficaz das fontes térmicas tradicionais (petróleo, carvão e gás) pelas fontes renováveis (hídrica, eólica, solar e outras). Todavia, não obstante o esforço observado nas tentativas de diversificação, em que se incluíram opções irrealistas à mistura com muito voluntarismo, os resultados foram vincadamente negativos, e darão origem a um enorme aumento dos preços da electricidade para as famílias e as empresas.
Por outro lado, não tem havido o cuidado de esclarecer devidamente a opinião pública acerca da discrepância entre as potências instaladas nos parques eólicos e fotovoltaicos e os valores da energia efectivamente produzida. De facto, em virtude da sua intermitência, estas fontes primárias apenas poderiam ser complementares dos centros produtores tradicionais, mais controláveis e muito mais disponíveis.
8. Para ilustrar a incapacidade da actual politica para reduzir a nossa dependência energética, bastará referir que em 2008, ultimo ano de que existem dados publicados pela DGEG, o saldo liquido da factura energética portuguesa atingiu o valor de 8219 milhões de Euros, ao passo que em 1998 não ultrapassava 1464 milhões de Euros .
A valores constantes de 1998 o aumento verificado nestes dez anos atingiu 322 % e foi devido, sobretudo, ao enorme incremento da factura relativa a combustíveis fósseis como o petróleo e o gás natural, cuja importação a actual política energética não conseguiu reduzir.
E, não obstante os enormes subsídios entretanto concedidos aos investimentos nas "novas energias renováveis", o total conjunto da rubrica "Eólica, Geotérmica e Fotovoltaica" em 2008 representou apenas 2,11 % do consumo total de energia primária em Portugal, tendo-se mantido a dependência energética em redor de 83 % ao longo dos últimos dez anos.
Assim, os signatários consideram fundamental exigir uma avaliação técnica e económica, independente e credível, da política energética nacional, de forma a ter em conta todas as alternativas energéticas actualmente disponíveis, com o objectivo inequívoco de reduzir os preços da energia com que são confrontados os cidadãos e as empresas, a par de garantir uma maior segurança energética e uma verdadeira redução do défice da balança comercial.
É que temos um Governo que em vez de cuidar do bem estar dos seus cidadãos, isto é, dos cidadãos que o elegeram, entretem-se a levar à pratica políticas energéticas baseadas em ideologias fundamentalistas independentemente do que isso possa custar ao país.
Quanto ao manifesto só é pena que o Ecotretas não indique qual a sua origem.
1. A energia encontra-se na base do desenvolvimento económico de qualquer país. No caso de Portugal, em que a situação económica se tem vindo a degradar de forma vertiginosa nos últimos anos, com crescimentos insignificantes do PIB, sempre abaixo da média da União Europeia, a política energética carece de uma profunda revisão, na medida em que os custos associados à energia podem ter reflexos extremamente negativos nas condições de vida dos cidadãos e na actividade das empresas.
Existe um consenso alargado de que o nosso país terá de fazer uma aposta importante na sua competitividade internacional e para isso, é necessário que as nossas empresas disponham de energia a preços internacionalmente competitivos.
Os efeitos da actual política energética, principalmente no sector da electricidade, são particularmente graves, pois perdurarão negativamente mesmo que sejam eliminados os outros factores de atraso económico e condicionará qualquer possibilidade de atracção de investimento, seja ele nacional ou estrangeiro. Todas as estratégias de saída da crise se baseiam na necessidade de aumento da competitividade empresarial, que o custo da energia irá prejudicar.
2. Tem-se procurado convencer a opinião pública do pretenso sucesso da actual política energética, chegando ao ponto de tentar passar a ideia de que Portugal está a dar lições ao mundo em termos de tecnologias da energia, uma originalidade que, alegadamente, permitiria ao país dispor de uma economia extremamente competitiva no século XXI.
Esta mensagem não podia estar mais longe da realidade.
A actual política energética tem vindo a ser dominada por decisões que se traduzem pela promoção sistemática de formas de energia "politicamente correctas", como a eólica e a fotovoltaica, mas que apenas sobrevivem graças a imposições de carácter administrativo que garantem a venda de toda a produção à rede eléctrica a preços injustificadamente elevados.
3. A natureza intermitente e incontrolável das energias eólica e fotovoltaica torna-as incapazes de satisfazer, não só a totalidade do consumo, como a potência necessária em determinadas horas do dia e épocas do ano, o que exige que se continue a dispor de centros produtores controláveis de substituição e a recorrer com frequência a importações de Espanha.
Assim sendo, apesar das melhorias decorrentes do DL 33-A/2005, que impôs o aumento da incorporação de valor nacional nas eólicas e a redução das tarifas a praticar pelos novos operadores, a verdade é que a corrida a estas energias não tem tido um efeito sensível na redução do endividamento externo.
Por outro lado, a multiplicação de fontes primárias intermitentes dificulta cada vez mais o controlo global do sistema eléctrico. Tanto pode forçar alguns dos centros produtores tradicionais a regimes de funcionamento limitados e ineficientes, como, em certas épocas do ano, pode obrigar a dissipar, ou a exportar a preço nulo (!) a produção renovável em excesso.
4. A subsidiação concedida aos produtores destas formas de energia é ainda excessiva e tem contribuído para agravar de forma injustificada os preços da energia eléctrica ao consumidor final, em particular das famílias, sobre os quais a legislação faz recair o sobrecusto da Produção em Regime Especial (PRE).
O sobrecusto da PRE, se reflectido de imediato nas tarifas de electricidade, daria origem a aumentos incomportáveis, uma perspectiva eleitoralmente inconveniente e razão pela qual tem vindo a ser dissimulado numa conta controversa, o chamado "défice tarifário".
Este défice não é mais do que uma dívida que as famílias vão ter de pagar, ao longo de vários anos, juntamente com os juros decorrentes da dívida junto das instituições bancárias. Na verdade, face à garantia dada pelo Estado através do DL 165/2008, o défice tarifário constitui já uma forma de dívida pública oculta.
Em 2009 o défice tarifário acumulado atingiu um valor assustador, superior a 2000 milhões de Euros. E, a manter-se a actual política, é inevitável que o sobrecusto destas fontes de energia venha a crescer nos próximos anos, o que conduzirá a um aumento brutal do preço da electricidade para os consumidores, agravando inexoravelmente não só as condições de vida de todos os portugueses como a competitividade exportadora nacional.
5. Para tornar o panorama mais sombrio, está em curso a construção de empreendimentos hidroeléctricos dotados de equipamentos reversíveis, alegadamente destinados a "armazenar o excesso de produção eólica" mediante bombagem hidroeléctrica, um projecto a que foi dada a designação de "complementaridade hídrica-eólica".
Embora se reconheça a vantagem destes empreendimentos na melhoria da gestão global do sistema eléctrico, bem como na constituição de reservas estratégicas de água, a bombagem hidroeléctrica é um processo que enferma de perdas inevitáveis de energia, pelo que acabará por redundar no desperdício da energia eólica e fotovoltaica utilizada na bombagem.
Além disso, sendo a energia dos parques eólicos actualmente em exploração vendida à rede eléctrica nacional a preços que frequentemente triplicam o valor corrente de mercado, a complementaridade hídrica-eólica não faria qualquer sentido para as empresas concessionadas se não fossem os consumidores a suportar os sobrecustos da produção eólica.
6. A subsidiação do sobrecusto das energias renováveis não pode constituir uma prática permanente. Apenas se poderá justificar por períodos limitados de tempo e em fases iniciais próprias dos processos de desenvolvimento tecnológico. Em Portugal tem sido uso corrente tentar viabilizar à força mesmo aquelas que uma análise económica rigorosa teria eliminado à partida.
Todas as formas de produção de energia eléctrica que são privilegiadas pela política de preços administrativos revelam valores várias vezes superiores aos de mercado. Para além da energia de origem eólica, a um preço médio de aquisição em 2010 de 91 Euros/MWh, a fotovoltaica tem um preço de 344 Euros/MWh e no caso da micro-geração doméstica, para quantidades garantidas e já comercialmente relevantes, os preços são de 587 Euros/MWh. Tudo isto constitui uma verdadeira aberração económica cujas consequências dramáticas para a economia do país são já evidentes a partir dos dados publicados pela ERSE.
7. O Governo português assumiu, como inquestionável, que seria possível conseguir uma substituição progressiva e eficaz das fontes térmicas tradicionais (petróleo, carvão e gás) pelas fontes renováveis (hídrica, eólica, solar e outras). Todavia, não obstante o esforço observado nas tentativas de diversificação, em que se incluíram opções irrealistas à mistura com muito voluntarismo, os resultados foram vincadamente negativos, e darão origem a um enorme aumento dos preços da electricidade para as famílias e as empresas.
Por outro lado, não tem havido o cuidado de esclarecer devidamente a opinião pública acerca da discrepância entre as potências instaladas nos parques eólicos e fotovoltaicos e os valores da energia efectivamente produzida. De facto, em virtude da sua intermitência, estas fontes primárias apenas poderiam ser complementares dos centros produtores tradicionais, mais controláveis e muito mais disponíveis.
8. Para ilustrar a incapacidade da actual politica para reduzir a nossa dependência energética, bastará referir que em 2008, ultimo ano de que existem dados publicados pela DGEG, o saldo liquido da factura energética portuguesa atingiu o valor de 8219 milhões de Euros, ao passo que em 1998 não ultrapassava 1464 milhões de Euros .
A valores constantes de 1998 o aumento verificado nestes dez anos atingiu 322 % e foi devido, sobretudo, ao enorme incremento da factura relativa a combustíveis fósseis como o petróleo e o gás natural, cuja importação a actual política energética não conseguiu reduzir.
E, não obstante os enormes subsídios entretanto concedidos aos investimentos nas "novas energias renováveis", o total conjunto da rubrica "Eólica, Geotérmica e Fotovoltaica" em 2008 representou apenas 2,11 % do consumo total de energia primária em Portugal, tendo-se mantido a dependência energética em redor de 83 % ao longo dos últimos dez anos.
Assim, os signatários consideram fundamental exigir uma avaliação técnica e económica, independente e credível, da política energética nacional, de forma a ter em conta todas as alternativas energéticas actualmente disponíveis, com o objectivo inequívoco de reduzir os preços da energia com que são confrontados os cidadãos e as empresas, a par de garantir uma maior segurança energética e uma verdadeira redução do défice da balança comercial.
Sábado, Abril 10
Quo Vadis Aquecimento Global?
O blog Mitos Climaticos chama-nos a atenção de que, segundo o Instituto de Meteorologia, o passado mês de Março foi o mais frio dos últimos 24 anos.
Em princípio frios pontuais, de nenhuma forma, contrariam a tese do aquecimento global. O Mundo pode estar a aquecer mas, volta e meia, esfriar um pouco.
O problema é que a década passada foi uma década quente e, esse calor, foi usado e abusado pelos defensores do aquecimento global como prova de que o Mundo estava realmente a aquecer.
Agora, que temos uma década um pouco mais fria, é curioso que os tais que apresentavam aquecimentos pontuais como prova do aquecimento global, não venham agora dizer que vem aí uma nova idade do gêlo.
Em princípio frios pontuais, de nenhuma forma, contrariam a tese do aquecimento global. O Mundo pode estar a aquecer mas, volta e meia, esfriar um pouco.
O problema é que a década passada foi uma década quente e, esse calor, foi usado e abusado pelos defensores do aquecimento global como prova de que o Mundo estava realmente a aquecer.
Agora, que temos uma década um pouco mais fria, é curioso que os tais que apresentavam aquecimentos pontuais como prova do aquecimento global, não venham agora dizer que vem aí uma nova idade do gêlo.
Sexta-feira, Abril 2
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