Europe
The Final Countdown
***
Joan Baez
We shall overcome
(Venceremos)
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Sábado, Outubro 30

Europa caceteira

Pagina 1 publicou um interessante artigo do Professor Ferreira do Amaral que se toma a liberdade de reproduzir (comentários meus no fim) :


No momento em que esta crónica for publicada, estará, provavelmente, a decorrer ainda a reunião do Conselho Europeu.
Considero que esta vai ser uma das mais importantes reuniões dos últimos tempos de chefes de Estado e de Governo da União Europeia.
O que está em causa verdadeiramente quando, neste Conselho, são decididas as questões relativas à governança económica da União, é saber se esta poderá retornar à concepção que vigorou antes de Maastricht de uma Europa solidária e de progresso económico e social ou se o Conselho persistirá na senda do aprofundamento da União da estagnação, do aumento das desigualdades e da pobreza e das sanções contra os Estados que se tem vindo a desenvolver desde Maastricht e mais especialmente na última década.
Se as propostas da Comissão e da task force do Conselho forem aprovadas, o que se institucionalizará na Europa é a concepção que os problemas económicos se resolvem com sanções aos Estados-membros, tanto no domínio orçamental como no do endividamento em relação ao exterior. É o argumento do cacete. Além de injusta esta concepção é profundamente estúpida – para adoptar um termo já utilizado por Romano Prodi relativamente ao Pacto de Estabilidade e Crescimento. É estúpida porque é o exemplo acabado de proposta de remédios que só fazem agravar a doença. Tentar reduzir o défice externo do país sancionando um Estado com uma multa pecuniária? Para quê? Para agravar o défice?
Apesar de ser muito crítico do Tratado de Maastricht, nunca pensei que a União se tornasse tão rapidamente num espaço de recriminação e de sanções a propósito da economia. Lideranças incompetentes e retrógradas, dir-se-á. Sem dúvida, mas isso não nos dá qualquer conforto. Começa, talvez, a justificar-se avaliarmos bem o que na verdade esta Europa significa para nós. Se teremos futuro num espaço que sistematicamente nos impede de crescer e que nos ameaça de sanções quando justamente deveria ajudar-nos a reequilibrar os défices que as regras que vigoram nesse espaço em grande parte ajudaram a criar.
Mas esperemos que, apesar de tudo, nas decisões do Conselho prevaleça o bom senso.

Para já, é de sublinhar que não prevaleceu o bom senso.

É também óbvio que não temos futuro num espaço que, nas palavras do Prof. Ferreira do Amaral sistematicamente nos impede de crescer e que nos ameaça de sanções quando justamente deveria ajudar-nos a reequilibrar os défices que as regras que vigoram nesse espaço em grande parte ajudaram a criar. 

É que grande parte dos nossos problemas foram e são causados pela própria forma de funcionamento da União Europeia e não pelos nossos governos que cada vez vão tendo menos poderes pois cedem-nos a Bruxelas e a Frankfurt (Banco Central Europeu).

E são estes os grandes problemas que temos de discutir e não se há ou não Orçamento!





Terça-feira, Outubro 12

É FARTAR VILANAGEM!!!!!!!!!!!!

Recebi este texto por email e, pelo que sei, o que diz é correcto.

Convém divulga-lo para compreendermos porque é que há por aí uns cidadãos pró-europeus até à medula. Pudera, são bem pagos para o serem!


Já reparou? Os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE !
E por quê?

Leia o que segue, pense bem e converse com os amigos.
Envie isto para os europeus que conheça!
Simplesmente, escandaloso,

Foi aprovada a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês.

Sim, leu correctamente!

Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental ...), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha..) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.

Porquê e quem paga isto?

Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro.
A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os "Deuses do Olimpo!"

Devemos reagir por todos os meios começando por divulgar esta mensagem para todos os europeus.
É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da União Europeia ....

Os tecnocratas europeus usufruem de verdadeiras reformas de nababos ...
Mesmo os deputados nacionais que, no entanto, beneficiam do "Rolls" dos regimes especiais, não recebem um terço daquilo que eles embolsam.
Vejamos! Giovanni Buttarelli, que ocupa o cargo de Supervisor Adjunto da Protecção de Dados, adquire depois de apenas 1 ano e 11 meses de serviço (em Novembro 2010), uma reforma de 1 515 € / mês. O equivalente daquilo que recebe em média, um assalariado francês do
sector privado após uma carreira completa (40 anos)..


O seu colega, Peter Hustinx acaba de ver o seu contrato de cinco anos renovado. Após 10 anos, ele terá direito a cerca de € 9 000 de pensão por mês.

É simples, ninguém lhes pede contas e eles decidiram aproveitar ao máximo. É como se para a sua reforma, lhes fosse passado um cheque em branco.

Além disso, muitos outros tecnocratas gozam desse privilégio:
1. Roger Grass, Secretário do Tribunal Europeu de Justiça, receberá € 12 500 por mês de pensão.
2. Pernilla Lindh, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, € 12 900 por mês.
3. Damaso Ruiz-Jarabo Colomer, advogado-geral, 14 000 € / mês.



Para eles, é o jackpot. No cargo desde meados dos anos 1990, têm a certeza de validar uma carreira completa e, portanto, de obter o máximo: 70% do último salário. É difícil de acreditar ... Não só as suas pensões atingem os limites, mas basta-lhes apenas 15 anos e meio para validar uma carreira completa, enquanto para você, como para mim, é preciso matar-se com trabalho durante 40 anos.



Confrontados com o colapso dos nossos sistemas de pensões, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos (em 2020), etc. Mas para eles, não há problema, a taxa plena é 15,5 anos... De quem estamos
falando?
Originalmente, estas reformas de nababos eram reservadas para os membros da Comissão Europeia e, ao longo dos anos, têm também sido concedida a outros funcionários. Agora eles já são um exército inteiro a beneficiar delas:: juízes, magistrados, secretários, supervisores,
mediadores, etc.

Mas o pior ainda, neste caso, é que eles nem sequer descontam para a sua grande reforma. Nem um cêntimo de euro, tudo é à custa do contribuinte ...
Nós, contribuímos toda a nossa vida e, ao menor atraso no pagamento, é a sanção: avisos, multas, etc.
Sem a mínima piedade. Eles, isentaram-se totalmente disso. Parece que se está a delirar!

Esteja ciente, que até mesmo os juízes do Tribunal de Contas Europeu que, portanto, é suposto « verificarem se as despesas da UE são legais, feitas pelo menor custo e para o fim a que são destinadas », beneficiam do sistema e não pagam as quotas.
E que dizer de todos os tecnocratas que não perdem nenhuma oportunidade de armarem em «gendarmes de Bruxelas» e continuam a dar lições de ortodoxia fiscal, quando têm ambas as mãos, até os cotovelos, no pote da compota?



Numa altura em que o futuro das nossas pensões está seriamente comprometido pela violência da crise económica e da brutalidade do choque demográfico, os funcionários europeus beneficiam, à nossa custa, da pensão de 12 500 a 14 000 € / mês após somente 15 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações... É uma pura provocação!

O objectivo é alertar todos os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia. Juntos, podemos criar uma verdadeira onda de pressão.

Não há dúvida de que os tecnocratas europeus continuam a gozar à nossa custa e com total impunidade, essas pensões. Nós temos que levá-los a colocar os pés na terra.

«Sauvegarde Retraites» realizou um estudo rigoroso e muito documentado que prova por "A + B" a dimensão do escândalo. Já foi aproveitado pelos media.



Ver aqui.


Interessante

O Diário Económico publicou este artigo que convém ler e meditar:


Sanções por não cumprimento de défices destruirão a Europa

Económico com Lusa   12/10/10 09:05

João Ferreira do Amaral sustenta que "a Europa não se constrói com sanções".
A imposição, no seio da União Económica e Monetária (UEM), de "sanções a um país que não tenha instrumentos para lidar rapidamente com a balança de pagamentos é um absurdo", afirma o professor catedrático do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão).
As regras na UEM e na União Europeia (UE) "têm de ser substancialmente alteradas" e "a Europa tem de voltar à filosofia da cooperação e da ajuda e não da dominação", defende o economista, que falava hoje na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).
A UEM "tornou-se mais num espaço de dominação do que de cooperação", critica João Ferreira do Amaral, defendendo a necessidade de esta União "se redefinir", sob pena de "desaparecer na forma como a conhecemos hoje, porque as tensões que se estão a criar" no seu interior torná-la-ão "impraticável".
O comportamento da Alemanha pode, de algum modo, ser compreensível, mas "as políticas macroeconómicas" que este país está a impor servem uns, mas são "muito negativas para outros países", acrescenta o economista, que falava num debate sobre a UEM, no âmbito do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios, este ano subordinado ao tema "Reflexões sobre a economia global em crise: migrantes, cidades, mercados, governação".
"É impensável um Estado moderno ficar dependente dos mercados para se financiar", afirmou, por outro lado, João Ferreira do Amaral, em declarações à agência Lusa, à margem do debate, em que também participaram o economista José Silva Lopes, o director da FEUC, José Reis, e os também docentes universitários Mário Nuti (Roma), Achim Truguer (Dusseldorf) e Andrew Watt (Bruxelas).
"No século XIX os Estados financiavam-se nos mercados", mas então, sublinha João Ferreira do Amaral, "tinham funções muito estritas".
Hoje, "isso não é possível porque um Estado não pode deixar de satisfazer os seus compromissos".
Aquela perspectiva "significa o enfraquecimento do Estado", situação "não é aceitável". De resto, prevê, "se não for resolvida a questão do financiamento dos Estados agravar-se-ão as tensões no seio da UEM e da Europa".
Defendendo idêntica perspectivo, José Reis afirma que o Banco Central Europeu (BCE) "deve intervir no mercado primário da dívida soberana".
Do mesmo modo, "é também claro" que a UEM deve "importar-se tanto com os défices das balanças correntes como com os excedentes", sustenta.
Limitar-se a "cuidar dos interesses das economias exportadoras, ou, noutro plano, dos bancos alemães, é uma negação profunda da Europa e a mais radical demissão de um compromisso com o desenvolvimento da integração europeia", sublinha o director da FEUC.
É que estamos a ir literalmente pelo cano abaixo. Por mais PEC's que o Governo faça o problema não só se resolve como se complica.
É necessário darmos um murro na mesa e sairmos deste beco sem saída!

Segunda-feira, Outubro 4

Vinde a mim as criancinhas...

O big boss do painel das Nações Unidas para as alterações climáticas, em desespero por a sua mensagem começar a gerar muitos anticorpos, vira-se agora para as crianças, o que é necessário é aterroriza-las...
E, como se vê neste filme, a sua mensagem já está a ser seguida:






Longe vão os tempos do Lobo mau e os três porquinhos ou da bruxa má da Branca de Neve...

Enterrar a cabeça na areia...

Os nossos políticos enterram a cabeça na areia se recusam-se sequer a falar do maior erro político cometido por Portugal desde, provavelmente, o Tratado de Methuen em 1703, a adesão ao Euro.

Faça o Governo os PEC's que quiser, corte-se onde quiser, enquanto estivermos no Euro não conseguimos sair desta espiral descendente.

Num artigo publicado no Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard coloca o dedo na ferida:


...
The IMF report – "Will It Hurt? Macroeconomic Effects of Fiscal Consolidation" – implicitly argues that austerity will do more damage than so far admitted.
...





"Not all countries can reduce the value of their currency and increase net exports at the same time," it said. Nobel economist Joe Stiglitz goes further, warning that damn may break altogether in parts of Europe, setting off a "death spiral".
The Fund said damage also doubles for states that cannot cut rates or devalue – think Spain, Portugal, Ireland, Greece, and Italy, all trapped in EMU at overvalued exchange rates.
...
Be that as it may, it is clear that Southern Europe will not recover for a long time. Portuguese premier Jose Socrates has just unveiled his latest austerity package. He has capitulated on wage cuts. There will be a rise in VAT from 21pc to 23pc, and a freeze in pensions and projects. The trade unions have called a general strike for next month.
Mr Socrates has already lost his socialist majority, leaking part of his base to the hard-Left Bloco. He must rely on conservative acquiescence – not yet forthcoming. Citigroup said the fiscal squeeze will be 3pc of GDP next year. So under the IMF's schema, this implies a 3pc loss in growth. Since there wasn't any growth to speak off, this means contraction.
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We are seeing a pattern – first in Ireland, now in Greece and Portugal – where cuts are failing to close the deficit as fast as hoped. Austerity itself is eroding tax revenues. Countries are chasing their own tail.
...
The ECB is winding down its lending facilities for eurozone banks, regardless of the danger for Spanish, Portuguese, Irish, and Greek banks that have borrowed €362bn, or the danger for their governments. These banks have used the money to buy state bonds, playing the internal "carry trade" for extra yield. In other words, the ECB is chipping at the prop that holds up Southern Europe.
One has to conclude that the ECB is washing its hands of the PIGS, dumping the problem onto the fiscal authorities through the EU's €440bn rescue fund. That is courting fate.
...
(o artigo todo pode ser lido aqui)
O problema português tem um nome, Euro e enquanto não se encarar que o Euro é que está na raiz dos nossos males iremos de PEC em PEC até ao descalabro final.

E, pior, este descalabro, a demorar, será violento e sangrento...









Continua o descalabro do Euro

Vale a pena ler este artigo do Professor João Ferreira do Amaral (ver aqui).

O problema é que a União Europeia meteu-se num trinta e um com o lançamento do Euro e agora, apesar de todas as previsões optimistas de há dez anos terem falhado, a UE recusa-se a aceitar que foi cometido um erro e insiste no Euro.

É que só há duas soluções, ou alteram-se profundamente os Tratados (desde o de Maastricht, pelo menos) ou abandona-se o Euro, isto é, ou alguns países abandonam o Euro. E, o mais grave é que a aposta no Euro foi de tal forma que é pouco provável que a própria UE sobreviva ao abandono do Euro.

Mas como é que a classe política que nos governa e que nos encheu de previsões maravilhosas devido à adesão ao Euro, nos pode vir agora dizer que se enganou?